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O Conselho Português para a Paz e Cooperação concluiu, no Porto, no passado dia 26 de Junho, a 5ª edição do “Paz em Ciclo” com mais um filme e um debate.
Desta vez, o último filme foi “Feliz Natal”, sobre a 1ª Guerra Mundial de 1914 a 1918, ou a Grande Guerra como ficou conhecida na linguagem popular, devido à devastação e morte de muitos milhões de soldados e civis, trazendo consigo o abismo e o desespero provocado por um conflito que penetrava como uma faca na civilização europeia, como referiu, no debate que se seguiu, o activista do CPPC, Alexandre Silva, que acrescentou: “ Foi um conflito que se caracterizou, desde o seu começo, como uma longa, esgotante e perturbadora guerra de posição, tendo as trincheiras como cenário principal, que mobilizou milhões de pessoas, simples moradores das cidades e aldeias, camponeses e intelectuais. escritores David Jones, Rupert Brooke, Isaac Rosenberg tendo este morrido na batalha, deixando-nos textos incríveis sobre as trincheiras, e tantos outros, sem esquecer o mais famoso intelectual que sobreviveu às trincheiras, Bertolt Brecht.”


Por sua vez, Beatriz Bachá, salientou que o filme se baseia em factos verídicos, a chamada «Trégua de Natal» que foi um armistício espontâneo que ocorreu por entre as trincheiras da frente ocidental no Natal de 1914, durante a I Guerra Mundial.
No meio da mortandade sem sentido da I Guerra, houve canções de natal, troca de presentes entre soldados alemães de um lado, e ingleses e franceses do outro. Soldados deixaram as trincheiras e fizeram uma trégua. Durante seis dias enterraram, juntos, os seus mortos e juntos rezaram por eles, cada um na sua língua. Trocaram presentes e jogaram futebol.
A maioria das confraternizações decorreu entre Diksmuide (Bélgica) e Neuve Chapelle. Os soldados britânicos e alemães descobriam ter mais em comum entre si que com seus superiores – instalados confortavelmente bem longe da frente de batalha. O medo da morte e a saudade de casa eram compartilhados por todos. Dos quartéis-generais, os senhores da guerra mandaram ordens contra qualquer tipo de confraternização. Quem desrespeitasse arriscava-se a ser julgado em conselho de guerra. Esta ameaça fez os soldados voltarem para as trincheiras. Durante os dias seguintes, muitos ainda se recusavam a matar os adversários. Para manter as aparências, continuavam a atirar, mas para longe do alvo.
A trégua velada resistiu ainda por um tempo. Até março de 1915, alemães e britânicos entrincheirados em Festubert, na França, faziam de conta que a guerra não existia – ficava cada um na sua. Mas a lembrança das confraternizações foi aos poucos dando lugar ao ódio. A carnificina recrudesceu, prosseguindo até à rendição da Alemanha, em novembro de 1918, arrasando a Europa e deixando cerca de 10 milhões de mortos.
Segundo Beatriz Bachá, a trégua é vista como um momento simbólico de paz e de humanidade no meio da barbárie que o realizador Carion quis recrear em homenagem à memória daqueles soldados, afirmando que a fronteira da terra-de-ninguém não era entre os campos de batalha. Era entre os que lutavam e os que queriam que a guerra acontecesse. Por isso é que o filme tem uma dimensão que vai muito para além da europeia. Tem uma dimensão humanista.
Na Conclusão final, Ilda Figueiredo, em nome da direcção nacional, agradeceu a todos e em especial ao Círculo Católico de Operários do Porto e à Confederação, que mais uma vez acolheram os cinco filmes e cinco debates desta quinta edição de “ PAZ em Ciclo” e convidou todos os presentes para as novas iniciativas em que o CPPC vai participar no Porto durante o mês de Julho:
9 de Julho – Contra a Cimeira da NATO
12 de Julho – debate sobre Robótica