A esperança constrói-se na acção e na unidade

Meia centena de representantes de organizações e movimentos da paz de 33 países participaram, a 18 e 19 de Novembro, na Assembleia Mundial da Paz, que se realizou na cidade brasileira de São Luís do Maranhão. No dia seguinte, teve lugar uma conferência internacional.

O CPPC, que se fez representar pela presidente e por um dos vice-presidentes da Direcção Nacional, respectivamente Ilda Figueiredo e José Batista Alves, foi reeleito para o Comité Executivo e para o Secretariado do Conselho Mundial da Paz (CMP), mantendo igualmente a coordenação da Região Europa. As organizações da Palestina, África do Sul, Nepal e Cuba assumem a coordenação das respectivas regiões: Médio Oriente, África, Ásia e América. Na presidência permanece o Cebrapaz, do Brasil, na pessoa de Socorro Gomes, da mesma maneira que o Secretário-geral e o Secretário-executivo continuam a ser membros do Comité Grego para o Desanuviamento Internacional e Paz.

Na assembleia, os coordenadores das diferentes regiões apresentaram os seus relatórios relativos aos últimos quatro anos, ou seja, desde a anterior assembleia, realizada no Nepal. Nestes documentos é visível a intensa actividade levada a cabo pelo Conselho Mundial da Paz e seus membros nacionais e a diversidade das ameaças e desafios que estão hoje colocados a todos quantos defendem a paz e a segurança internacionais e se batem pela soberania nacional e o progresso social.

Analisando a actividade recente, os movimentos da paz de todo o mundo realçaram a participação do CMP e suas organizações membros em «acções de rua, seminários, debates, congressos e reuniões regionais», que constituíram «momentos intensos de reflexão, partilha de opiniões e experiências, nos quais erguemos firmemente a bandeira da paz». Valorizando a «análise clara das principais ameaças à paz» feita nos últimos anos e as propostas por si feitas de «tácticas claras e fortes bases de unidade», o CMP acredita ter ajudado a «fortalecer o amplo movimento pelos ideais mais nobres da humanidade», ao mesmo tempo que reafirmou o seu compromisso de «construir unidade de princípios em acção entre as amplas forças da paz e progressistas».

Ameaças à paz

No segundo ponto (de 61) da Declaração Final da Assembleia Mundial da Paz, aprovada no final de dois dias de trabalhos, sublinha-se o «período de profunda crise económica» e os «novos perigos e ameaças à paz» que o mundo enfrenta: entre eles, o CMP destaca as «actuais intervenções militares imperialistas contra países soberanos e a revitalização do fascismo em antigas e novas formas». Tudo isto conflui, acrescenta, numa situação particularmente explosiva, que leva o Conselho Mundial da Paz a considerar que a humanidade enfrenta hoje os «perigos de uma guerra generalizada de dimensões globais».

A Declaração denuncia a destruição da Líbia e a sua divisão em «diferentes protectorados servindo às potências ocidentais e seus aliados regionais», denuncia a intervenção na Síria «com o objetivo de derrubar o governo legítimo», a continuação da política de ocupação, colonização, limpeza étnica e terrorismo na Palestina, a criação e promoção de «forças violentas como o “Estado Islâmico”, que são instrumentos no plano imperialista de desestabilização e fragmentação» e o golpe de Estado de cariz fascista perpetrado há três anos na Ucrânia. O aumento das despesas militares por parte dos EUA e da NATO, o alargamento e reforço deste bloco político-militar e a «opção nuclear», ainda válida para muitos países, são ameaças particularmente graves, garante o CMP.

Razões para ter esperança

Sendo particularmente graves, não são apenas as ameaças que caracterizam a situação actual no mundo, analisada pelo Conselho Mundial da Paz. Estes são também «tempos de esperança», garante-se na Declaração: uma esperança baseada nas «lutas dos povos amantes da paz no mundo». De modo a travar o caminho para o abismo para onde as potências ocidentais querem conduzir a humanidade, o CMP apela a que se recorde as «lições das lutas históricas e unir todas as forças consequentes e amplas pela paz e o progresso numa forte mobilização cuja força, amplitude e convicção podem impedir que ocorram novas tragédias».

É o que tem vindo a suceder nas diferentes partes do mundo em que movimentos populares assumem um papel cada vez mais importante «na defesa dos direitos e da soberania dos povos». Ao mesmo tempo, sustenta-se na Declaração, há movimentos governamentais, como o Movimento dos Países Não Alinhados e outros fóruns regionais, que se «opõem a quaisquer acções de hegemonia e defendem a solução pacífica de conflitos com base nas leis internacionais e na Carta das Nações Unidas e um mundo sem armas nucleares».

A terminar, a Declaração Final da Assembleia Mundial da Paz assume que o «espírito do nosso tempo é a afirmação da vontade dos povos de ter o seu destino em suas mãos». Assim, é essencial desenvolver a luta pela paz, democracia e justiça, promovendo uma «ampla unidade» e, dessa forma, reforçar a «solidariedade entre os povos na luta pela paz, contra o imperialismo, como se afirmava no lema que presidiu à Assembleia.