O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) expressa a sua preocupação com os recentes desenvolvimentos em torno do alegado envenenamento no Reino Unido do agente britânico Sergei Skripal e sua filha.

A adopção de medidas contra a Federação Russa – incluindo a expulsão de diplomatas deste país e um desenfreado discurso anti-russo – adoptadas particularmente por países membros da NATO e da União Europeia, agrava ainda mais a tensão que tem caracterizado a situação internacional, já hoje marcada por uma acelerada militarização por parte dos EUA e NATO, nomeadamente no Leste da Europa.

Para o CPPC, o perigoso caminho que está a ser seguido – tensão em vez de desanuviamento; imposição unilateral em vez de diálogo; militarização em vez de desarmamento –, de consequências imprevisíveis, é precisamente o oposto daquele que é necessário trilhar.

A apresentação de alegações e não de factos concretos do que realmente se passou, e a inaceitável escalada de retórica exaltada e agressiva dirigida contra a Federação Russa lembram as alegações com que se procurou legitimar as guerras de agressão ao Iraque, à Líbia ou à Síria, as quais o tempo veio a demonstrar serem falsas e terem servido apenas de prévia cobertura a tais guerras de agressão.

Notando que a chamada ao nosso País do Embaixador português junto da Federação Russa é um sinal preocupante, o CPPC regista a correcta atitude assumida até ao momento pelo Governo português de não expulsão de diplomatas russos, apesar das pressões em sentido contrário, e apela a que esta atitude tenha seguimento numa posição coerente, soberana e activa, no cumprimento da Constituição da República, em prol do desanuviamento e da paz no continente europeu.

Direcção Nacional do CPPC