escalada armamentista da cimeira da nato e um perigo para a paz mundial 1 20180722 1106544054

Independentemente de uma análise ulterior, as conclusões da cimeira da NATO, realizada em Bruxelas, nos passados dias 11 e 12 de Julho, confirmam o que o CPPC e as mais de 40 organizações que com ele convergiram na campanha «Sim à Paz! Não à NATO!» afirmaram, assim que foram conhecidos os seus objectivos, nomeadamente, que tal cimeira visava reforçar a «capacidade de intervenção belicista» deste bloco político-militar agressivo. É esse, de facto, o grave e perigoso caminho apontado, caminho a que o Governo português, inaceitavelmente, associou Portugal.

Isto é claro desde logo pela reafirmação da possibilidade da NATO intervir em qualquer lugar sob qualquer pretexto: as «ameaças» e «desafios» identificados cobrem praticamente qualquer situação e ponto geográfico, a começar pela Europa, Médio Oriente e Norte de África; da Cimeira saiu ainda a decisão de constituir 30 batalhões mecanizados, 30 esquadrões aéreos e 30 navios de combate prontos a entrar em acção num prazo de 30 dias.

Um dos importantes aspectos que ressaltam da declaração é a intenção de prosseguir com o aumento das despesas militares dos países da NATO. Na declaração da Cimeira está expresso o objectivo de, até 2024, todos os países gastarem dois por cento do seu PIB na «defesa». Não é demais lembrar que em 2017 se gastou em armamento, no mundo, mais de 1,7 biliões de dólares e que os 29 países da NATO assumem já mais de metade desse valor.

Particular gravidade assume a posição face à Federação Russa. Para além da crescente presença militar da NATO junto às suas fronteiras, são igualmente factores de tensão as acusações, avisos e ameaças lançados contra este país na declaração da Cimeira. O desvirtuamento da realidade chega ao ponto de acusar a Rússia de desestabilizar e ameaçar as «fronteiras orientais» da NATO, como se não fosse esta a estar, cada vez mais, instalada nas fronteiras ocidentais da Rússia. Fomentando a tensão e ameaças dirigidas contra a Rússia, com todos os riscos que essa situação comporta para a paz e a segurança internacionais, a NATO garante que os batalhões de intervenção rápida instalados na Estónia, Letónia, Lituânia e Polónia, que somam 4500 efectivos, estão já totalmente operacionais.

A NATO reassume na Cimeira sua «vocação nuclear» e o carácter estratégico dos seus sistemas ofensivos de mísseis, complementares – reafirma-o – aos arsenais nucleares. Igualmente reafirma a sua oposição ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares.

A confirmação de que os objectivos desta Cimeira são o aprofundamento do militarismo e da guerra, mostra a justeza e a necessidade de prosseguir a luta pela paz, por um mundo mais justo e fraterno desenvolvida pela campanha “Sim à Paz! Não à NATO!”.

Direcção Nacional do CPPC