uma nova ameaca para a paz eua anunciam abandono do tratado de forcas nucleares de alcance intermedio 1 20181029 2044163167

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) manifesta a sua mais profunda preocupação pela intenção manifestada pela Administração norte-americana, pela voz do Presidente Donald Trump, de abandonar o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (tratado conhecido pela sigla “INF”), uma decisão, que a concretizar-se, significará um novo e gravíssimo passo dos EUA na promoção da corrida aos armamentos – desta feita a novos armamentos nucleares –, que a não ser rejeitado poderá ter particular incidência no crescimento da insegurança na Europa.

Importa lembrar, a este respeito, que este anúncio segue-se a outras decisões recentes assumidas pelos EUA, de enorme gravidade para a paz e segurança internacionais (como as relativas ao Irão ou à Palestina, por exemplo) e de profundo desrespeito pelas Nações Unidas – pelos princípios da sua Carta, pelas suas agências, órgãos e resoluções.

Um anúncio que, afinal, se insere numa política externa norte-americana crescentemente agressiva, patente nas cada vez maiores despesas militares que os EUA vêm assumindo ou na revisão da sua doutrina estratégica e política militar nuclear num sentido ainda mais ofensivo.

Os EUA são, desde há muito, o país com maiores gastos militares no mundo: em 2017, as suas despesas com a «defesa» representaram 35 por cento do total mundial – quase dez vezes mais que a Federação Russa. Entretanto, os EUA aprovaram para 2019, o maior orçamento militar da história do Pentágono: mais de 700 mil milhões de dólares – ou seja mais de 700 000 000 000 de dólares.

Acresce a isto o facto de, no seu conjunto, os 29 países da NATO assumirem 52 por cento das despesas militares globais e estes mais alguns aliados (como Arábia Saudita, Israel, Colômbia, Japão ou Coreia do Sul), num total de 34 estados, representarem perto de 70 por cento destas despesas. O restante terço é assumido pelos restantes 159 países do mundo.

São também os EUA quem possui centenas de bases e instalações militares e esquadras navais em todo o mundo, que promovem a militarização do Espaço e a instalação de um mal denominado «sistema anti-míssil» global e desenvolvem armas cada vez mais potentes e sofisticadas, convencionais, nucleares e robóticas.

Através do incremento do seu poderio militar, económico e comunicacional, os EUA tentam impor pela violência o seu domínio mundial, desrespeitando os direitos, a soberania e as aspirações dos povos.

Para o CPPC é urgente travar esta escalada armamentista e iniciar, tão cedo quanto possível, um processo de negociações que aponte o desarmamento geral, simultâneo e controlado, que reduza consideravelmente os armamentos existentes e aponte ao desmantelamento dos arsenais de armas nucleares e de destruição massiva e à criação de um sistema de segurança que assegure a paz e a segurança colectivas e de uma ordem internacional baseada na cooperação entre os povos.

Das autoridades portuguesas exige-se, em consonância com as suas responsabilidades e com a Constituição da República Portuguesa, uma firme condenação de mais este grave anúncio dos EUA e uma acção determinada em defesa da paz e do desarmamento.