Criada em 4 de Abril de 1949, sob a égide dos Estados Unidos da América, a Organização do Tratado do Atlântico Norte – NATO- enquanto bloco político-militar, assume as funções de guarda pretoriana do sistema capitalista e da sua expressão mais agressiva, o imperialismo.
 
Poder-se-á afirmar que a NATO é um contraponto à Organização das Nações Unidas – ONU- e à sua Carta Fundacional aprovada, a 26 de Junho de 1945, pelas forças vencedoras do nazi-fascismo e que o imperialismo, a contragosto, foi obrigado a aceitar.


 
Mas foi, e é, também, um instrumento de repressão da luta dos povos e das massas populares na sua caminhada histórica pela construção de um mundo de paz e de progresso económico e social.
 
Constituída na sua origem por 12 Estados – EUA, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Islândia e Portugal – em 1955 passou a integrar a República Federal da Alemanha e, em 1982, a Espanha.
 
A presença do nosso país, dominado por uma ditadura fascista, é um exemplo claro e evidente de que, para a NATO, democracia e liberdade mais não eram que instrumentos de propaganda anticomunista, no quadro da chamada Guerra Fria.
 
Sem que tal possa ser considerada uma ruptura com os seus princípios e objectivos, bem pelo contrário, poderemos, no entanto, considerar duas fases distintas existência da NATO: a que decorre entre a sua constituição e a dissolução do campo socialista na Europa do Leste, nomeadamente da União Soviética, no início dos anos 90 do século passado e a sua atividade desde esses acontecimentos até ao presente.
 
Na primeira fase a NATO apoia estratégica e politicamente as ações politicas e militares dos países que a integram, nomeadamente do seu núcleo duro – EUA, Reino Unido, França, Itália – mas também de países periféricos com Grécia, Turquia ou Portugal, sem, no entanto, assumir diretamente o comando das operações, limitada que estava, na sua ação pela existência de um bloco político militar, esse sim de carater defensivo, o Pacto de Varsóvia.
 
Não se podendo daí concluir que, no primeiro período referido a NATO se remetido a um papel a um papel menos interveniente. É conhecido o seu papel, em estreita cooperação com a CIA e outras organizações policiais antidemocráticas na desestabilização de governos progressistas, ou de processos revolucionários, como viria a ocorrer no 25 de abril de 1974 e período subsequente, no nosso país.
 
A guerra colonial, movida pelo fascismo português contra os povos das colónias e os seus Movimentos de Libertação, beneficiou, e muito, da conivência e apoio militar da NATO.
Tal como a guerra de agressão e ocupação desencadeada pelo imperialismo norte-americano contra os povos do Vietname, Laos ou Cambodja; a invasão de Granada, os golpes militares e a imposição de ditaduras sanguinárias no Brasil, Uruguai, Argentina ou Chile.
 
A ditadura dos coronéis na Grécia, ou a ditadura militar na Turquia e a ocupação por este país da parte norte da República de Chipre, não teriam sido possíveis sem o apoio declarado, ou implícito, da NATO.
 
Na segunda fase, já sem as limitações que lhe eram impostas pela existência do campo socialista, a NATO sente-se com poder para mostrar a sua verdadeira face enquanto instrumento militar ao serviço das políticas imperialistas.
 
No Conceito Estratégico, definido em 1991, era já referida a importância da articulação com a Comunidade Europeia - futura U.E.- para uma maior partilha de responsabilidades no quadro de uma Estrutura Europeia de Segurança e Defesa, plasmada hoje no Tratado de Lisboa que reflete uma crescente militarização da União Europeia e a transformação desta num novo bloco político-militar imperialista.
 
Mas o alargamento ao leste europeu e aos Balcãs: Polónia, República Checa e Hungria em 1999, Eslovénia, Eslováquia, Bulgária, Roménia, Estónia, Letónia, Lituânia, em 2004, e Albânia e Croácia em 2009 visa, essencialmente, o cerco à Rússia e à possibilidade de aí instalar bases militares dotadas de armamento altamente sofisticado, como o designado sistema antimísseis.
A par do alargamento, assiste-se à criação de “parcerias para a paz” que envolvem mais 22 países da Europa à Ásia Central.
 
É neste quadro que a NATO decide levar acabo uma revisão do seu Conceito Estratégico para o ajustar às funções que reclama para si mesma: poder intervir militarmente, à revelia do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas, em qualquer situação que considere que podem estar em jogo os interesses políticos, económicos, ou outros, dos Estados que a integram.
 
Este Conceito Estratégico (revisto) foi testado pela primeira vez, de 24 de março a 11de junho 1999, na “ Operação Forças Aliadas “ que a NATO e diversos países europeus levaram a cabo, sem declaração de Guerra, contra um País soberano, a Jugoslávia. Nesta operação foi utilizado novo armamento militar, dito de operações cirúrgicas – aviões não tripulados, mísseis de médio e longo alcance – que, não causando nenhuma baixa nas forças agressoras, matou mais de 600 cidadãos civis e feriu milhares de outros, destruindo importantes infraestruturas: pontes, estações de televisão, edifícios residenciais e governamentais.
 
O Conceito Estratégico da NATO foi sendo sucessivamente revisto até à versão, mais apurada, aprovada na Cimeira de Lisboa em 24 de novembro de 2010, que reafirmando a decisão da NATO em exercer, à escala mundial, o papel de gendarme do imperialismo, levou à invasão, ocupação e destruição do Estado Líbio, à intervenção, não declarada, mas comprovada, da ingerência na Síria.
 
Aos seus 63 anos a NATO é e o que sempre foi, uma força de choque ao serviço do imperialismo, contra os interesses, direitos e soberania dos povos
 
Carlos Carvalho, lx 01 -04 - 2012