agressao dos eua a coreia comecou ha 70 anos 1 20200730 1245606188
 
A intervenção militar dos EUA na Coreia, que ainda hoje permanece, começou há precisamente 70 anos. O objetivo – como sempre mascarado sob belas palavras – foi o mesmo que os levou anos mais tarde a agredir o Vietname: o de procurar travar o impetuoso movimento libertador dos povos, que se seguiu à Vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial.
Naquele país asiático, dominado durante décadas pelo Japão, duas tendências antagónicas disputavam o poder: as forças de resistência anticolonial libertaram o Norte (com o apoio da URSS), enquanto a Sul os EUA instalaram no poder antigos colaboradores das forças de ocupação japonesas, perpetuando a sua presença militar no país, assim como a divisão da Coreia.
A agressão norte-americana contra o povo da Coreia conta-se entre as mais brutais que a História regista, por mais poderoso que seja o silêncio que sobre ela recaiu. O próprio general dos EUA Curtis LeMay estima que em três anos as tropas norte-americanas terão assassinado perto de 20% da população coreana, mas esta até pode ser uma estimativa «otimista».
Pionguiangue foi totalmente arrasada, assim como muitas outras cidades, aldeias, fábricas e infraestruturas. A utilização massiva de napalm e de armamento biológico deixou réplicas que ainda hoje se fazem sentir – a denúncia destes crimes motivou, nesses anos, uma intensa ação do Conselho Mundial da Paz e de outras organizações e movimentos internacionais. Pablo Picasso pintou Massacre na Coreia, inspirado nos Fuzilamentos, de Goya.
Nos círculos de poder dos EUA chegaram a ser equacionados bombardeamentos nucleares massivos sobre a Coreia, a China e a União Soviética.
Este enquadramento histórico é fundamental para compreender a situação atual da Península da Coreia, a sua divisão, a permanência de numerosos contingentes militares norte-americanos, a aspiração a uma Coreia unida e pacífica – só possível sem ingerência externa, sem pressões e chantagens.
É a retirada das tropas dos EUA o primeiro e decisivo passo para que seja possível avançar de forma determinada no diálogo intercoreano visando a reunificação pacífica da Coreia. É o que melhor serve a paz e a segurança na região e no mundo.
Julho 2020
Direção Nacional do CPPC