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Intervenção do CPPC na Tertúlia "Água Pública, um Direito?!?

O Conselho da Paz entende que participar num debate sobre o tema ÁGUA se justifica pois a GUERRA DA ÁGUA já custou à humanidade milhões de mortos e deslocados e provocou muito sofrimento. Pretendemos alertar a opinião pública para a necessidade de uma intervenção activa das populações a favor da água como um bem público.
 
A água é um bem indispensável. Sem água não há vida, e se ela for muito escassa para uso próprio, para cozinhar e para higiene pessoal, a qualidade de vida desce para níveis primários. Sem água não há produção de alimentos vegetais nem de carne.
Por isso a água é um bem que tem um incalculável valor de uso. Com estas características e sendo insubstituível, o domínio e a capacidade de transporte da água tem sido desde a antiguidade motivo para muitas guerras. É o bem mais consumido e tem sido o mais disputado.
A quantidade existente e a facilidade da sua obtenção ( que ainda subsiste nalguns poucos cantos do planeta), faziam da água um bem livre, isto é sem valor económico. Não é o caso nas sociedades modernas em que a quantidade per capita já é limitada e a obtenção e transporte para os centros de uso exigem a aplicação de trabalho.
 
A quantidade de água potável está a diminuir a olhos vistos, tanto em termos absolutos como na razão existência/população, enquanto aumenta a sua exigência para a agricultura, para a indústria e para utilização doméstica.
Acresce que vivemos numa sociedade em que o lucro substitui os direitos humanos e transforma tudo em mercadorias sujeitas à especulação e à lei do mercado, em que só tem direito de uso quem puder pagar.
E é assim que aumenta exponencialmente o perigo de o domínio da água vir a ser o motivo para grandes guerras, certamente muito mais selvagens que as provocadas presentemente pela posse/domínio das fontes de petróleo.
Seguindo a lógica elementar do capitalismo assistimos à progressiva apropriação, por grandes monopólios internacionais, das fontes e redes de distribuição de água por todo o mundo.
A Veolia Environnement, a  Suez Environnement, a Thames Water, a Aguas de Barcelona, a Monsanto e a Bechtel estão-se tornando os donos da água em todo o mundo. Estas empresas facturam centenas de milhares de milhões de euros anualmente.
Repare-se que estes monopólios são 2 franceses, um inglês, um espanhol, e dois norte americanos, portanto de países que se têm notabilizado pelas suas aspirações neocolonialistas e acções militares para o roubo de matérias primas por todo o globo.
E, assim como acontece com o petróleo, os grandes negócios dos monopólios acima mencionados são conquistados ou garantidos por meios militares quando o processo económico/financeiro não é suficiente.
A história recente assinala conflitos ou tensões que se verificaram, entre o Egipto, o Sudão e a Eritreita com o rio Nilo, entre a China, o Camboja, Laos, Myanmar, Tailândia e Vietname com o rio Mekong, entre a Índia e o Paquistão com o rio Jhelum, entre a Turquia, Síria, Iraque com os rios Eufrates e Tigre, entre Israel e a Síria com a nascente do Jordão.
Desde 2001 que responsáveis da Administração dos EUA falam da hipótese de se virem a verificar conflitos por causa da água. E o aquífero de Guarani é o maior do globo terrestre.
Então, os EUA descobriram que a zona à volta desse aquífero (que fica na Tríplice Fronteira e que se estende pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) era um ninho de terroristas.
E para combater o terrorismo e o narcotráfico, encheram a zona limítrofe de bases militares, marines e instrutores militares.  Bases militares dos EUA à volta da Amazónia são 8.
Isto faz lembrar o combate à droga  e ao terrorismo no Afeganistão  ou a existência de armas de destruição maciça no Iraque.
 
Mas a água não é somente motivo de guerras. Também tem sido utilizada como instrumento de guerra desde tempos remotos.
Muito sucintamente podemos mencionar, só do sec. XX e XXI, a guerra sino-japonesade 1937, a guerra do Vietname de 60, contra a Jugoslávia –no Kosovo-  1999, a de Israel contra o Líbano em 2006.
Através da destruição de depósitos, e ou da inquinação de fontes, a privação de água tem sido utilizada para vergar exércitos e populações.
Israel tem utilizado a privação de água aos palestinos como um meio para o seu afastamento e mesmo o seu extermío.
 
Esta intervenção que vai longa é uma pequenina parte do que se poderia falar sobre a relação da água e a guerra. Mas não podemos acabar sem mencionar um episódio que mostra que com luta os povos alcançam o direito à água.
Na Bolívia, em 1999, o Banco Mundial recomendou a privatização do abastecimento de água a Cochabamba a favor da norte americana Bechtel. Pouco depois o valor do consumo médio da água subiu atingindo um quinto da salário médio. Todo o povo boliviano se mobilizou e lutou (luta que ainda custou uma vida), mas em 2000 a água voltou a ser gerida pela municipalidade e a Bechtel foi corrida.
 
Lisboa.

Intervenção JOC – debate “A Constituição de Abril e a Paz” - 18 de Abril de 2012, Casa do Alentejo em Lisboa

Constituicao de Abril e a Paz 02 02

 

Tópicos da intervenção de Elisabete Silva
Presidente Nacional da Juventude Operária Católica

  1. Introdução à paz

Eu dividiria a paz em 3 níveis. (Na JOC trabalhamos nos 2 primeiros, na CPPC mais no 3º.)

Paz 1. Interior, 2. Relação com os outros, 3. No mundo (entre povos)

  1. Paz segundo a DSI

Na DSI existe uma encíclica totalmente dedicada à Paz e que se chama “paz na terra”

A paz é a meta da convivência social” – compêndio da DSI

« A paz não é só ausência de guerra, nem se limita a assegurar o equilíbrio das forças adversas. A paz não é possível na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade» – catecismo da Igreja católica

 

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Intervenção CPPC – debate “A Constituição de Abril e a Paz” - 18 de Abril de 2012, Casa do Alentejo em Lisboa

A CONSTITUICAO DE ABRIL E A PAZ 01

 

 

Boa tarde a todos, em nome do CPPC quero agradecer-vos a vossa presença neste debate.
Enquadramento político das questões da paz antes da CRP de 1976
Antes de avançar para as grandes transformações introduzidas nas relações internacionais com a Revolução iniciada a 25 de Abril de 1974, importa referir que o Estado Português vivia, no fascismo, numa situação que podemos categorizar como de isolamento internacional, no quadro da evolução da situação internacional após a II Guerra Mundial, com um numeroso e influente grupo de países socialistas e progressistas, o avanço dos processos de libertação nacional e a crição do «movimento dos não alinhados». Recordemos a tão “querida” expressão do regime, “orgulhosamente sós”, que, afinal, escondia as suas ligações ao nazi-fascismo e, depois do fim da II Guerra Mundial, aos EUA e à NATO, entre outros países que tinham interesses económicos em Portugal e apoiavam a guerra colonial do regime fascista.
 

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