A Juventude e a luta pela Paz
Caros amigos,
É num contexto de intensos ataques aos direitos dos povos, dos trabalhadores e da juventude que realizamos hoje esta nossa XXII Assembleia da Paz. Ataques decorrentes da profunda crise estrutural do sistema capitalista, que vem intensificando o seu carácter explorador, opressor e agressivo, obedecendo unicamente à lógica da exploração e do lucro. Tentando fazer face à agudização desta crise, o capitalismo responde aumentando a exploração dos trabalhadores, degradando as suas condições de vida de forma a garantir os lucros do grande capital. Neste quadro, a juventude torna-se no alvo preferencial do capital e das políticas de direita, que procuram fazer das camadas mais jovens, novas gerações de trabalhadores sem direitos e com menos capacidade reivindicativa. Reconhecendo o potencial reivindicativo e transformador único da juventude, o capitalismo desenvolve também uma feroz ofensiva ideológica, na tentativa de travar quaisquer perspectivas de esclarecimento e mobilização para a luta que conduza a um rumo diferente.
O aumento da exploração capitalista e da ofensiva ideológica fazem-se acompanhar ainda pelo incremento da agressividade imperialista, da violência, da repressão, do militarismo e da guerra procurando oprimir a legítima e consequente resistência e luta dos trabalhadores e dos povos. Como resposta à crise em que se afunda e procurando garantir o controlo de recursos e dos mercados, o imperialismo recorre ao militarismo e à guerra. Usando a crise como pretexto para atacar as condições de vida e os direitos dos trabalhadores, enquanto milhões de seres humanos morrem de fome e de doença ou vivem na pobreza, o imperialismo fomenta a corrida aos armamentos. O armamento assume-se como resposta inevitável, enquanto consumo lucrativo que tem ainda a dupla vantagem de destruir forças produtivas. A economia capitalista é, portanto, indissociável do armamento, da militarização e da guerra. Como é indissociável a luta pela paz da luta anti-imperialista, da luta dos trabalhadores e da juventude por melhores condições de vida e de trabalho, pelo direito à educação, à saúde, à habitação, à cultura e ao desporto. É nas lutas concretas pelos direitos dos povos e da juventude que se reforça o amplo movimento pela paz, contra o imperialismo.
É fundamental a integração do movimento da paz no contexto geral da luta dos trabalhadores e da juventude para, em unidade com estes, poder ampliar a frente de luta pela paz. Porque a paz é muito mais para além da ausência de guerra e conflitos militares. Viver em paz é viver num mundo de respeito e cumprimento dos mais fundamentais direitos dos povos, como garante de uma vida plena e feliz. Viver num mundo de paz é também viver com uma educação pública, gratuita e democrática, com trabalho com direitos, com saúde, educação, habitação, cultura e desporto para todos, num mundo de respeito pelo meio-ambiente e pelas liberdades democráticas. Tudo isto é a paz. E a juventude demonstrou que é elemento activo na luta pela paz. Demonstrou-o de forma muito particular, no seu envolvimento e participação massiva na grandiosa manifestação “Paz Sim NATO Não”. A campanha PSNN foi uma importante plataforma de unidade e convergência de lutas nas quais a juventude e suas organizações assumiram grande dinamismo e protagonismo, desenvolvendo inúmeras iniciativas de cariz cultural e desportivo, esclarecendo e levando a campanha e a luta pela paz a mais jovens, envolvendo inúmeras organizações. Destaca-se o envolvimento do CPPC na organização e dinamização do Acampamento pela Paz, iniciativa integrada na campanha PSNN que contou com a participação de mais de 200 jovens. Esta iniciativa teve uma segundo edição, neste ano de 2011, onde mais uma vez, o CPPC, colaborou com dezenas de organizações juvenis que integram, tal como o CPPC, a plataforma “Juventude com direitos é com a Constituição do presente”, plataforma que tem como objectivo assinalar os 35 anos da nossa Constituição e defender os direitos nela consagrados. É de destacar também a integração do CPPC no Comité Nacional Preparatório do 17º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, a iniciativa mais importante à escala global de luta da juventude contra o imperialismo e pela paz, ocorrido em 2010 na África do Sul. Esta foi mais uma oportunidade de trabalho desenvolvido pelo CPPC em unidade com outras organizações que defendem, como nós, um mundo de paz.
Em Portugal, (enquanto se coloca a política externa ao serviço da estratégia do imperialismo) aproveitando a crise internacional para se desresponsabilizar pelo estado do país, o anterior governo PS e o actual governo PSD/CDS-PP intensificam o ataque aos direitos dos trabalhadores e da juventude, impondo medidas que não correspondem às suas reais aspirações e necessidades. Assistimos a um ataque cerrado e sem precedentes aos direitos da juventude, através de uma política de ataque à escola pública e às funções sociais do Estado, de aumento da exploração dos trabalhadores, de condicionamento do associativismo juvenil, de repressão das liberdades de expressão e manifestação. Temos hoje uma juventude assolada pelo desemprego e pela precariedade, pela degradação das condições de vida e de trabalho, pela elitização e mercantilização de direitos fundamentais como a educação e a saúde, problemas que se agravam e ampliam com o programa de ingerência e agressão estrangeira que está em curso em Portugal.
Mas também neste contexto de profundas dificuldades, a juventude portuguesa tem resistido e desenvolvido a sua luta persistentemente em várias frentes. É indiscutível o importante papel do movimento associativo juvenil português, bem como do movimento sindical, que têm desencadeado fortes protestos de forma organizada, consequente e continuada. A juventude portuguesa luta e resiste. São de assinalar os protestos marcados já para este mês: no dia 22 os estudantes do ensino básico e secundário saem à rua, no dia 24 a greve geral e no dia 29 os estudantes do ensino superior manifestam-se também. Em cada escola e em cada local de trabalho, em cada acção de luta por justiça social e pelos mais fundamentais direitos dos trabalhadores e da juventude, estará o povo português e em particular a juventude a lutar contra este sistema, que promove a guerra, o militarismo e a agressão. E quando no dia 22 os estudantes do básico e secundário se unirem contra a empresa parque escolar e contra os cortes no financiamento, quando no dia 24 os trabalhadores se unirem contra a precariedade e por melhores salários, pelo emprego com direitos, quando no dia 29 os estudantes do superior se unirem contra as propinas e os cortes na acção social escolar, por uma escola pública e democrática, estarão aí com a sua luta a demonstrar solidariedade com as lutas dos povos. E nos muitos dias de luta que se seguirão. Este é um importante contributo que a juventude portuguesa dará à luta dos povos pela paz e contra o imperialismo. É intensificando a luta dos trabalhadores e da juventude em cada país, procurando dar resposta aos seus problemas concretos que se amplia e reforça, num quadro mais geral, o movimento da paz. Porque a luta pela paz faz parte e é condição necessária para assegurar o rumo de progresso e de justiça social. E só as lutas dos povos, dos trabalhadores e da juventude poderão derrotar o imperialismo e garantir assim a paz plena no mundo. Porque a guerra, o militarismo, a exploração e a opressão são inerentes ao sistema económico capitalista. A luta contra o imperialismo, pela paz, solidariedade e cooperação entre os povos não pode ser desligada da luta pelos direitos dos jovens em cada país, pois são inseparáveis as conquistas sociais no plano nacional e uma alteração da correlação de forças internacional que permita uma paz duradoura.