19 de Novembro de 2011, Teatro Municipal de São Luís
 
A resolução e o plano de acção que estamos a debater colocam como questão central para os próximos dois anos o reforço do movimento da paz em Portugal. As causas principais por que nos bateremos – e que permitirão, como acreditamos, esse reforço – estão também inscritas nesses documentos e são: a defesa da Constituição da República, nomeadamente do seu artigo 7.º; a luta contra o militarismo e a guerra; e a solidariedade e cooperação com os povos do mundo, em particular aqueles que são vítimas de agressões e guerras imperialistas.
Ao afirmarmos que daremos prioridade ao reforço e alargamento do movimento da paz falamos obrigatoriamente do reforço do CPPC, organização central e elemento dinamizador do movimento da paz no nosso país. São orientações apontadas para o fortalecimento do CPPC, entre outras, a dinamização do funcionamento dos seus órgãos; a promoção da participação dos seus aderentes nas iniciativas; o desenvolvimento de iniciativas que aumentem o número de aderentes, nomeadamente jovens; o incentivo à criação e funcionamento regular de núcleos, ou comissões de paz; a angariação de fundos e uma melhor divulgação da sua intervenção e das suas posições, uma mais regular edição do Notícias da Paz e de outras publicações e o reforço da presença do CPPC nos meios de informação digitais, através da sua página na Internet ou das redes sociais.
Debruçar-me-ei mais a fundo sobre esta última e importante questão – a comunicação do CPPC com os seus aderentes e com a população em geral.
Pode parecer uma verdade de La Palice, mas não deixa de ser indesmentível o facto de que se não formos nós a divulgar as nossas posições e a nossa actividade ninguém o fará por nós. Daí ser fundamental ir muito mais longe do que temos ido, tendo apesar de tudo a consciência plena do muito que fizemos e do muito que contribuímos para que os valores da paz, da solidariedade e da cooperação fizessem, como fizeram, o seu caminho nestes anos.
Desde a última assembleia, editámos quatro números do Notícias da Paz (um deles apenas em formato digital) e assumimos a feitura dos dois números do jornal da Campanha Paz SIM! NATO NÃO!. Tomámos largas dezenas de posições sobre assuntos variados, como podem ver no Relatório de Actividades, e divulgámo-las amplamente por correio electrónico, através da página do Facebook ou, em menor escala, através da distribuição de folhetos. Foi um esforço imenso, humano e mesmo financeiro, que acreditamos ter dado os seus frutos.
Mesmo partindo do princípio de que tomámos as posições que devíamos ter tomado e que fizemos os boletins possíveis de serem feitos, há que perguntar: chegaram estas posições e estes boletins tão longe quanto possível? Certamente que não. Podíamos e devíamos ter levado o Notícias da Paz às escolas e universidades, às colectividades e associações, às empresas e locais de trabalho. As nossas posições sobre a Palestina, o Sahara Ocidental, a Líbia, o Egipto, a Tunísia, a Nato, a militarização da União Europeia podiam ter chegado a muitos e muitos mais portugueses preocupados com o futuro do seu país e com o rumo do mundo que todos partilhamos. É este o desafio que temos perante nós.
Como também salientamos nos nossos documentos, grandes são as ameaças que pairam sobre os povos do mundo, neste momento de grave crise do sistema, em se procura impor uma nova ordem hegemonizada pelos EUA e outras potências imperialistas, criando uma crescente instabilidade e insegurança, com grandes perigos para a paz, para a liberdade, a soberania, o progresso. As ocupações do Iraque e do Afeganistão prosseguem e a agressão à Líbia está longe de estar concretizada. Sobre a Síria e o Irão pairam grandes ameaças e aperta-se o cerco dos Estados Unidos à Rússia e à China. A NATO e a União Europeia continuam a reforçar-se e a aumentar a sua agressividade. Os sucessivos governos portugueses são cada vez mais submissos e dóceis aos interesses das grandes potências da UE e dos EUA.
Os tambores da guerra soarão novamente e a acompanhá-los estará novamente uma poderosa ofensiva mediática tendente a justificar as agressões, a humanizá-las, para nos convencerem – como em grande medida fizeram no caso da Líbia – que bombardeiam um povo para o libertar e salvar.
A voz do CPPC será nos anos que aí vêm porventura ainda mais necessária do que tem sido. Façamos todos com que seja cada vez mais escutada.
 
Viva o CPPC.