Outras Notícias

Dia Internacional de Solidariedade com a Palestina

A propósito do "Dia Internacional de Solidariedade com a Palestina" o CPPC divulga moção aprovada, no passado Sábado, na XXII Assembleia da Paz.
 
Pelo reconhecimento do Estado da Palestina
 
A XXII Assembleia da Paz realiza-se num momento em que a luta do povo da Palestina pela constituição do seu Estado independente, soberano e viável se encontra numa fase importante, ao estar em debate no Conselho de Segurança da ONU o seu reconhecimento como membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas.
Recentemente, a Palestina foi admitida na UNESCO por larga maioria de votos, numa eleição marcada por intoleráveis pressões e chantagens sobre os países votantes por parte de Israel e dos Estados Unidos da América, tendo este país, como represália, suspendido os subsídios a esta organização – o que levou já à interrupção de projectos da UNESCO. Para o CPPC, a abstenção de Portugal foi inaceitável, ao capitular sob a política belicista de Israel e dos EUA, numa atitude em tudo contrária à Constituição da República Portuguesa.
Fiéis à sua solidariedade de sempre com a justa causa do povo palestino, os participantes na XXII assembleia da Paz:
-apoiam sem reservas o reconhecimento do Estado da Palestina como membro de pleno direito da ONU, com fronteiras anteriores a Junho de 1967 e com capital em Jerusalém Leste;
-reclamam do Governo português o voto favorável à admissão da Palestina como membro de pleno direito da ONU;
-exigem o fim da ocupação israelita; a interrupção da construção dos colonatos e o desmantelamento dos existentes; o derrube no Muro de Separação; o fim do bloqueio a Gaza; a libertação dos presos políticos palestinianos; o respeito do direito ao regresso dos refugiados.

Saudação enviada pelo MPPM

A Direcção Nacional do Movimento Português pelos Direitos do Povo Palestino e a Paz no Médio Oriente deseja saudar, de forma fraterna e calorosa, a realização da Assembleia da Paz, e todos os militantes e activistas da causa da paz que nela participam. O MPPM partilha com o Conselho Português para a Paz e a Cooperação objectivos e valores ao abrigo dos quais tem sido possível uma colaboração estreita na promoção e organização de inúmeras iniciativas de solidariedade com a causa da paz, contra as guerras de agressão imperialista, e de solidariedade com a luta dos povos pela sua emancipação, muito em particular com a causa nacional do povo palestino.
 
 
A Assembleia da Paz realiza-se num quadro político internacional marcado por uma forte instabilidade e ameaças crescentes de desencadeamento de novas guerras de pilhagem, designadamente na região do Médio Oriente. O clima de tensão que se vive no mundo, com a deliberada agudização de múltiplos focos de conflito, é indissociável da crise geral do sistema financeiro internacional, e da ofensiva sobre os direitos dos povos e as condições de vida da generalidade da população, que é bem evidente em Portugal.
 
 
Neste quadro, como ficou tristemente demonstrado na agressão recente contra a Líbia, o chamado “direito de ingerência”, bem ao contrário dos fins humanitários em nome dos quais tem sido invocado, constitui o pretexto para o lançamento de violentas e destruidoras guerras de agressão que, servindo propósitos de hegemonia geoestratégica, visam assegurar a captura e a exploração dos recursos próprios dos povos, em benefício da aristocracia dirigente nas grandes potências ocidentais, com os EUA em primeiro plano. E são esses mesmos que, numa demonstração de gritante hipocrisia, assistem de forma cúmplice, ou participam de maneira política, militar ou economicamente activa, na continuada ocupação do território da Palestina por parte de Israel, e na campanha para sufocar e submeter a luta heróica e determinada do seu povo; os mesmos que, de forma mais ou menos envergonhada, se recusam a reconhecerem à Palestina o estatuto de membro de pleno direito das Nações Unidas; os mesmos que, de forma mais ou menos despudorada, usam da chantagem e da ameaça para constrangerem o exercício da decisão soberana dos estados e organizações que não se submetem aos seus ditames.
 
 
O reforço e o alargamento do campo da luta pela paz, fortemente ancorados nos princípios basilares da soberania dos estados e da não ingerência nos assuntos internos de cada país, e solidariamente comprometidos com os direitos e aspirações emancipadoras dos povos constituem, hoje, mais do que nunca, um imperativo. As movimentações de massas em vários países do Médio Oriente, impondo, em alguns casos, a substituição de regimes corruptos, e submetidos aos interesses das potências ocidentais, a denodada resistência, de muitos povos contra a opressão e a ingerência externa, assim como dos trabalhadores e das populações que, um pouco por todo o mundo, enfrentam um ataque desenfreado aos seus direitos e conquistas, revelam que existe uma crescente disposição para a luta que urge fortalecer e organizar. Confiamos que os debates e conclusões da Assembleia Paz contribuirão, como sempre o fizeram no passado, para abrir perspectivas e apontar caminhos no sentido da concretização de tais objectivos. Pela nossa parte, reiteramos a nossa disponibilidade e empenho para, a partir daqueles princípios, aprofundar a cooperação entre o MPPM e o CPPC.
 
 
Viva a Assembleia da Paz!
Viva a causa da luta pela paz e pela solidariedade entre os povos!