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Estimados Companheiros
 
Em nome da Direcção Nacional do CPPC saúdo todos os aderentes e amigos aqui presentes nesta Assembleia da Paz, 11 meses depois da Assembleia que nos elegeu, em Novembro do ano passado.
 
Estamos certos que esta Assembleia dará um contributo fundamental para o reforço do movimento da Paz em Portugal num momento de crise tão grave, que intensifica a violência contra os trabalhadores e a maioria da população, agravando a pobreza e o desemprego, pondo em causa direitos democráticos essenciais e a soberania nacional, o que constitui uma séria ameaça à paz.


 
A Direcção Nacional eleita, logo que assumiu as suas funções, iniciou a concretização do Plano de Acção, tendo em conta as suas principais linhas de intervenção para o biénio 2011/2013, designadamente, o reforço do movimento da paz em Portugal; a luta contra a guerra e o militarismo; a solidariedade e cooperação com todos os povos do mundo.
 
Nesse contexto, desenvolvemos um conjunto de acções e de campanhas que a maioria dos presentes conhece, dado que participou nelas. Mas também no Relatório que já distribuímos pelos aderentes, poderão constatar que se procurou levar à prática os objectivos definidos.
 
Outros membros da Direcção irão falar mais em pormenor de campanhas que realizámos ao longo do ano, designadamente da campanha em torno da Constituição de Abril e a Paz, em prol de uma política externa portuguesa em consonância com o consagrado nos três primeiros pontos do seu artigo 7º e da luta contra a guerra e o militarismo, dando destaque à exigência da dissolução da Nato e à denúncia da crescente militarização e agressividade da União Europeia.
 
Falarão também das acções de solidariedade, com destaque para o Médio Oriente, incluindo a Síria, a Palestina e o Irão, tendo mesmo um dirigente do CPPC participado numa delegação à Síria. Mas nas nossas acções esteve também presente a solidariedade com o Saara Ocidental, a América Latina, designadamente Cuba, Equador e Venezuela. Igualmente será destacado o papel da juventude na defesa da paz e a utilização dos meios de informação, como o boletim Notícias da Paz, incluindo o desafio que lançamos a outras organizações, designadamente sindicais e municipais, para que sejam também difusoras das mensagens e posições do CPPC.
 
Assim, vamos abordar a nossa actividade numa perspectiva de futuro, do muito que há para fazer, dos esforços e vontades que temos de juntar em torno de objectivos comuns ou convergentes para defender e promover uma cultura da paz, para lutar contra a guerra, a exploração e a opressão, para defender a dignidade de quem trabalha e o direito dos povos a escolher o seu destino, a sua independência e soberania, o que terá continuidade na Conferência que vamos realizar, à tarde, sobre “O reforço do movimento da paz em tempo de crise”, onde também procuramos o contributo de outras organizações e personalidades de diversas áreas.
Neste difícil e complexo contexto nacional e internacional em que vivemos, torna-se fundamental procurar formas de alargar e reforçar o movimento da Paz, tendo sempre em conta os princípios fundadores do CPPC e o Plano de Acção aprovado na XXII Assembleia da Paz, o que, como também sabemos, pressupõe a defesa da Constituição de Abril e a exigência do respeito dos princípios inspiradores da Carta da ONU.
 
Nos objectivos aprovados no Plano de Acção para 2011/2013 estão incluídos o reforço orgânico do CPPC e o reforço do Conselho Mundial da Paz e do movimento da paz internacional, como poderão verificar na brochura que está em distribuição e que contém os documentos aprovados na XXII Assembleia da Paz.
 
Durante estes meses de trabalho, foi dada prioridade à realização de um importante e significativo número de contactos, de reuniões e de conversas com organizações sindicais, autarquias, organizações empenhadas na defesa da paz e na solidariedade e cooperação, de diversas áreas, visando dar passos no sentido do reforço da intervenção do movimento da paz em Portugal.
Podemos aqui referir que desse trabalho resultou um alargamento do número de aderentes individuais e colectivos do CPPC, designadamente de Sindicatos com sede no Porto e em Coimbra, e do município de Setúbal. Mas muitos outros contactos foram realizados e, certamente, nos próximos meses teremos novas adesões.
 
O CPPC procurou estabelecer bases de entendimento com outras organizações do movimento da paz na prossecução de objectivos convergentes ou comuns e fortalecer laços de cooperação, fomentando a troca de informações e promovendo iniciativas a favor da solidariedade entre os povos e da paz. Neste quadro, o CPPC assinou um Acordo de Cooperação com a CGTP-IN e participou nas diversas manifestações, concentrações e marcha contra o desemprego.
 
Merece também especial destaque a formação e/ou reactivação de núcleos do CPPC, alguns com funcionamento e actividade regular, designadamente no Porto, em Coimbra e em Beja, o que permitiu uma participação mais vasta no Pais, seja em termos de debates, seja de alargamento de acções em espaços públicos e de rua, com especial destaque para as lutas dos trabalhadores e acção convergente da CGTP. Representantes dos diversos núcleos darão também aqui uma informação mais detalhada das suas actividades e perspectivas de trabalho futuro.
 
Merece também especial referência o contributo do CPPC para o reforço do Conselho Mundial da Paz e do movimento da paz a nível internacional, visando uma maior articulação do trabalho entre os movimentos da paz no mundo.
 
Assim, por exemplo, a convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e luta pela Paz (CEBRAPAZ), o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) esteve presente no Seminário Internacional “Os direitos humanos na perspectiva da construção de uma cultura de paz”, ocorrido a 2 e 3 de Dezembro em S. Paulo, Brasil.
 
Por outro lado, como o CPPC tem a responsabilidade da coordenação do Conselho Mundial da Paz na Europa, participámos e contribuímos para o êxito da reunião de preparação da Assembleia do Conselho Mundial da Paz, realizada em Chipre e participámos na Assembleia do Conselho Mundial da Paz, realizada em Katmandu (Nepal), de 20 a 23 de Julho.
Esta Assembleia, que foi seguida de uma Conferência Internacional da Paz, decorreu na capital do Nepal, em Katmandu, com cerca de 150 participantes representando 50 organizações e movimentos de paz de diversos países e continentes, onde tive a oportunidade de intervir nos vários debates realizados.
 
Esta Assembleia foi um momento alto na intervenção daqueles que, pelo mundo, pugnam pela solução pacífica dos conflitos, pelo desarmamento, pela defesa das soberanias nacionais, contra o imperialismo e todas as formas de exploração e opressão.
Ali estiveram em discussão não apenas estes e outros temas, como também a definição dos caminhos a percorrer para construir um mundo de paz – a maior aspiração da Humanidade, sem a qual não é possível o desenvolvimento, a igualdade, a liberdade.
Ali foi denunciado que, num momento em que os povos do mundo sofrem as consequências da mais grave crise económica e financeira – o desemprego, a pobreza, a miséria, o aumento das desigualdades e a guerra –, as despesas militares não cessam de aumentar (com os EUA e os países da NATO a serem responsáveis pela maior parte delas), a corrida aos armamentos dispara, as guerras de agressão contra povos soberanos sucedem-se.
 
Na Assembleia do Conselho Mundial da Paz aprovou-se uma importante Resolução Política e diversas moções, que já tornámos públicas em Portugal, divulgando, por exemplo, a Resolução Política por todas as Câmaras e Assembleias Municipais do País e, através de um acto público no Dia Internacional da Paz, entregando-a também à representante da ONU para Portugal
 
Com a eleição dos novos corpos sociais do Conselho Mundial da Paz, o CPPC manteve-se no Executivo, no Secretariado e com a coordenação da Europa no quadro do CMP, o que constitui uma imensa responsabilidade em prosseguir e dinamizar a luta pela paz, num momento em que ela é tão necessária para o futuro de prosperidade e liberdade que desejamos construir. São desafios fundamentais que temos pela frente, incluindo, já no final deste mês, a realização de uma reunião de coordenação da Europa, em Bruxelas.
 
Mas só podemos dar um maior contributo ao movimento internacional da paz se conseguirmos reforçar o CPPC, seja aumentando os aderentes individuais e colectivos, seja reforçando a capacidade financeira, seja criando mais núcleos e conseguindo uma maior dinâmica e articulação com outras organizações do movimento da paz, dos trabalhadores da juventude e das autarquias, incluindo em áreas da informação e da educação para a paz.
 
Sobretudo no terceiro ponto desta Assembleia teremos oportunidade de dar especial atenção às medidas e acções necessárias, visando aumentar a nossa capacidade de resposta e alargar o nosso âmbito territorial e sectorial. Mas precisamos, igualmente, de dar maior dinâmica à Casa da Paz, o que pode passar pela criação de mais núcleos do CPPC, designadamente em Lisboa e Setúbal.
 
Pela Paz! Um CPPC mais forte!
 
Pela Paz todos juntos não somos demais!