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Conferência “Reforço do Movimento da PAZ em tempo de crise” (01)

Conferência
“Reforço do Movimento da PAZ em tempo de crise”
20 de Outubro de 2012, com início às 14h30m, na Casa do Alentejo, Lisboa

Introdução ao tema

O nosso país atravessa uma grave crise financeira com manifestações sociais e económicas sem precedentes para as presentes gerações. Esta crise insere-se numa crise financeira mundial, coincidente com manifestações de conflitualidade internacional - económica, política e militar - também sem precedentes no último meio século.

Podemos identificar algumas dessas manifestações principais:

- constituição de um bloco europeu ocidental, económico, político e militar, cada vez mais interveniente e agressivo para além das suas fronteiras;

- afirmação hegemónica dos EUA como potência financeira, económica e militar, cada vez mais interveniente no plano mundial;

- alinhamento cada vez mais estreito desse bloco europeu com os EUA, sobretudo no plano político-militar, e instrumentalização da NATO na promoção dos designados interesses vitais dos EUA em todos os cantos do mundo;

- a emergência económica, política e militar de novos países, caracterizados por vastas populações e vastos territórios ricos em recursos naturais, cujo desenvolvimento económico e tecnológico se aproxima das anteriores potências mundiais;

- a continuada intervenção agressiva e com recurso à acção militar directa dos EUA associados a potências europeias, com ou sem cobertura da ONU, mas com o apoio ou a parceria da NATO, em sucessivos teatros de guerra: Balcãs, Golfo Pérsico, Médio Oriente, Ásia Central e Norte de África;

- a crescente presença militar dos EUA em centenas de bases militares à roda do mundo, presentemente a alastrar sobretudo nos oceanos Índico e Pacífico;

- a persistente acção subversiva dos EUA e potências europeias na Europa, na América Latina, em África, no Sudeste Asiático e na Oceânia, no sentido de subornar vantagens económicas e/ou forjar alianças para instalar bases militares, em franca hostilidade e à custa da penalização social e económica de populações residentes e da soberania de países em crise;

- a supressão de regimes políticos que prosseguem vias de desenvolvimento autónomas, por um lado; por outro, a usurpação de territórios e a repressão de populações que ainda não puderam aceder à soberania dos seus estados, ou sequer exercer a sua auto-determinação.

Neste quadro, importa valorizar as lutas político-sociais que, não obstante grandes obstáculos e sacrifícios, procuram alcançar a justiça social e a convivência harmoniosa entre povos e entre estados; os movimentos pela paz contra a corrida armamentista, as bases militares estrangeiras, as despesas militares, a militarização das relações internacionais, as intervenções estrangeiras, actos de guerra ou subversivas.

Importa afirmar a solidariedade para com os povos agredidos, ou em luta pelo pleno exercício dos seus direitos ou da sua soberania.

Importa conhecer e procurar cooperar com todos os povos e os seus movimentos sociais no sentido de exercer a solidariedade e trabalhar pela prevalência dos valores da vida, dignidade e equidade, comuns a toda a humanidade.

Hoje, em Portugal, a luta pelo progresso social contra a crise que nos aflige é indissociável da luta por relações internacionais equitativas e pacíficas, a caminho de um mundo melhor para toda a humanidade.

Neste sentido, o Conselho Português para a Paz e Cooperação considera que a sua participação nesta Conferência representará um muito importante e útil contributo para a necessária reflexão em torno dos caminhos a percorrer para o reforço da intervenção do movimento em defesa da paz em Portugal.

A sua participação e contributo são muito importantes!

25 de Setembro de 2012
A Direcção Nacional do CPPC

Conferência - “Reforço do Movimento da Paz em tempo de crise”

Conferência
“Reforço do Movimento da Paz em tempo de crise”
20 de Outubro de 2012, 14h30m, Casa do Alentejo, Lisboa

O Conselho Português para a Paz e Cooperação vai realizar a sua XXIII Assembleia da Paz, no próximo dia 20 de Outubro, na Casa do Alentejo, em Lisboa.

Por ocasião desta Assembleia, realiza-se também a Conferência sobre “Reforço do Movimento da Paz em tempo de crise”, a partir das 14h30m, igualmente na Casa do Alentejo.

Todos juntos não somos demais para enfrentar a crise que vivemos e as ameaças à paz que se verificam em muitas regiões do mundo.

Assim, consideramos importante valorizar: as lutas político-sociais que, não obstante grandes obstáculos e sacrifícios, procuram alcançar a justiça social e a convivência pacífica entre povos e entre estados; os movimentos pela paz contra a corrida armamentista, contra as bases militares estrangeiras, as crescentes despesas militares, a militarização das relações internacionais, as intervenções estrangeiras, os actos de guerra.

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Conferência - Intervenção de Frederico Carvalho Vice-Presidente do CE da Fed. Mundial dos Trabalhadores Científicos

A FEDERAÇÃO MUNDIAL DOS TRABALHADORES CIENTÍFICOS NA LUTA PELA PAZ
 
Em 1940, Paris sofria a ocupação nazi. Para espanto de muitos, o Professor Joliot-Curie galardoado com o Prémio Nobel da Química em 1935, prosseguia os seus trabalhos de investigação no Collège de France, situado em pleno centro da cidade. Os alemães podiam entrar e sair à vontade nas instalações e no gabinete do mestre, e escutar as conversas que mantinha com estudantes e colaboradores. Por isso mesmo não suspeitavam do que lá se passava. Fabricava-se o piróxilo ou algodão-pólvora, matéria explosiva mais potente que a pólvora comum, que fazia ir pelos ares os comboios da Wehrmacht. Sob as tábuas do sobrado escondiam-se minas, granadas e cocktails molotov usados contra veículos blindados. Joliot-Curie deixara de projectar aceleradores de partículas para fabricar emissores-receptores que nas mãos da Resistência ― os “maquisards” ― eram um instrumento de importância vital. “maquisards” ou guerrilheiros, cujo papel na libertação da França e na derrota do nazi-fascismo importa recordar, hoje como ontem. Na verdade, aos homens como aos povos assiste o direito de responder à violência com a violência, em legítima defesa, quando as circunstâncias o exigem embora tudo devam fazer para que se chegue aí.

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Conferência - Intervenção de Manuel Duran Clemente

Economia real versus economia virtual
O ultraliberalismo global e a crise europeia.
 
 I - O Sistema: a força do mercado e da economia virtual global
   
"A loucura dos poderosos não pode passar sem vigilância " – in Hamlet / W.Shakespear
 
Há muito nos alertamos para a problemática da economia real e da economia virtual. Também há muito sabemos dos que "teimosamente" insistem e persistem no cavar dum “abissal fosso” entre os mais pobres e os mais ricos.
A força do Mercado e do Ultraliberalismo Global, a força de economia virtual que se sobrepôs à economia real, tem-nos obrigado à reflexão exaustiva e a uma não menor procura de respostas entre investigadores e especialistas do ramo.
Não passaram muitos anos sobre a afirmação do próprio ex-presidente da Reserva Federal americana Sr. Alan Greenspan, com o cínico aviso de estarmos perante o início da maior recessão económica dos últimos sessenta anos.

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Conferência - Intervenção de Avelino Gonçalves

Amigos e Companheiros:
 
Nasci quando principiava a Segunda Guerra Mundial e dela fui tendo notícia na minha primeira infância.
As minhas mais antigas recordações, no quadro familiar e da aldeia em que vivia, são reflexo da guerra que corria lá longe:
- as bichas do pão;
- as senhas do racionamento;
- o meu pai fazendo sabão para uso da família;
- o pão cozido sobre uma folha de couve no forno do fogão de lenha, quando se arranjava um pouco de farinha;
- o confisco de cereais que os agricultores escondiam como podiam, muitas vezes enterrado;
- a apanha um a um dos escaravelhos que dizimavam os batatais
- os homens que partiam de galochas altas, lanterna e picareta, na miragem do volfrâmio.

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