Filipe Ferreira, actual vice-presidente do CPPC e que durante alguns mandatos integrou direcções com Rui Namorado Rosa, lembrou a «sua firmeza de princípios, aliada à sua imensa capacidade de gerar consensos», fundamentais para que o CPPC conseguisse, num quadro tão complexo, «levar por diante importantes acções em prol da paz, do desarmamento e da solidariedade com os povos do mundo, que envolveram amplos sectores da sociedade portuguesa, de todas as latitudes e diferentes convicções políticas e crenças religiosas».

Rui Namorado Rosa, prosseguiu ainda Filipe Ferreira, era um «cientista consagrado, reputado professor universitário» que associou sempre os seus conhecimentos à sua militância em prol da paz, tendo-se destacado na luta contra as armas nucleares e de destruição massiva e a utilização, pelos EUA, de munições de urânio empobrecido no Iraque, na Jugoslávia, no Afeganistão, na Líbia...

Na linha de outros cientistas, acrescentou o vice-presidente do CPPC, Rui Namorado Rosa foi «capaz de honrar a sua posição enquanto homem de ciência batendo-se com fervor para que esta sirva o avanço da Humanidade e não os interesses particulares de ínfimas – embora poderosas – minorias e recusando a sua utilização para fins bélicos».

Abílio Fernandes lembrou alguns aspectos da intervenção de Rui Namorado Rosa em Évora, enquanto professor na Universidade e cidadão, e José Baptista Alves recordou episódios de combates travados em comum no CPPC.

O próprio Rui Namorado Rosa, no final, recordou as influências familiares – é filho de Maria Lúcia Vassalo Namorado e primo de Maria Lamas – e o percurso de luta pela paz, que começou antes de aderir ao CPPC: «Eu ainda não estava no CPPC, mas o CPPC já estava comigo.».

A homenagem inseriu-se numa sessão evocativa dos 70 anos da luta pela paz, que entre 1948 e 1950 resultou na criação do Conselho Mundial da Paz e no lançamento daquela que foi a sua primeira e particularmente bem sucedida campanha internacional, o Apelo de Estocolmo, contra as armas nucleares. Este ano, assinala-se o Primeiro Congresso Mundial dos Partidários da Paz, realizado em Abril de 1949 simultaneamente em Paris e em Praga, que envolveu milhares de pessoas de todo o mundo e deu um impulso determinante para a constituição do movimento.

A sessão contou ainda com um momento de solidariedade com a Venezuela – que nesse dia 16 teve expressão planetária – e de denúncia da passagem de 20 anos do início da agressão da NATO à Jugoslávia.

Assembleia da Paz

Da parte da manhã, realizou-se no mesmo local a Assembleia da Paz do CPPC. As dezenas de activistas presentes, vindos de vários pontos do País, analisaram e aprovaram os relatórios de contas e de actividades.

Nas diversas intervenções foi realçada a intensa actividade realizada pelo CPPC em 2018 e valorizada a realização, a 20 de Outubro, do Encontro pela Paz, que reuniu mais de 700 pessoas em Loures e que, na sua preparação e realização, envolveu cerca de 50 estruturas e organizações. A dinamização da petição pela assinatura por parte de Portugal do Tratado de Proibição de Armas Nucleares, que recolheu 13 mil assinaturas, já entregues na Assembleia da República, foi também destacada.

Os participantes na assembleia realçaram o alargamento da organização do CPPC a nível nacional, patente no reforço da acção dos núcleos, e o prestígio crescente de que goza junto de diversas organizações e sectores sociais.

Foi ainda projectada a actividade futura, com destaque para a solidariedade com a Venezuela, a luta contra a NATO e pelo desarmamento.