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CPPC solidário com os refugiados

Assinalando o Dia Mundial do Refugiado, que se cumpre a 20 de junho, o Conselho Português para a Cooperação (CPPC) não pode deixar de sublinhar quão séria se tornou a questão dos refugiados, deslocados e migrantes no mundo.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, o número de pessoas refugiadas e deslocadas deverá ter totalizado 100 milhões, na sequência de um crescimento incessante durante a última década.

Essas pessoas são forçadas a deslocar-se internamente ou a sair dos seus países de origem em consequência de guerras; de situações de ocupação colonial; de opressão. Tais situações são, as mais das vezes, decorrentes de imposições de ingerências, de desestabilização, de agressões, de sanções, promovidas por grandes potências em proveito próprio; e ocorrem na generalidade das regiões do globo, designadamente, Médio Oriente, África, América Latina, Europa, Ásia.

À parte a retórica da defesa dos direitos humanos, tantas vezes hipócrita e vazia de conteúdo prático, o modo como os refugiados e migrantes são acolhidos é revelador da real natureza do poder nas sociedades e estados a que aqueles demandam.

É referida a morte ou desaparecimento de milhares de refugiados e migrantes na travessia do Mediterrâneo para a Europa ou na tentativa de entrar nos Estados Unidos da América a partir da América Latina.

Na União Europeia, a abordagem em relação aos refugiados e migrantes tem sido, entre outros aspectos, a externalização da responsabilidade do controlo do seu fluxo com o financiamento de países que servem de tampão – como a Grécia, a Turquia, a Líbia, Marrocos ou o Sudão, por exemplo –, incluindo com a colocação de barreiras em zonas fronteiriças, a repressão, a criação de campos de detenção ou o abandono de refugiados e migrantes.

O conflito na Ucrânia veio, por sua vez, demonstrar que não há limites para a hipocrisia, duplicidade e preconceito dos principais dirigentes da União Europeia, os mesmos que conceberam, desenvolveram e puseram em prática abordagens desumanas, dirigidas sobretudo aos que fugiam de conflitos na Síria, Líbia, Iémen, Afeganistão e África Subsaariana.

À margem destas medidas e mesmo em contradição com elas, vários sectores das sociedades europeias lançaram mão de iniciativas procurando ir ao encontro das necessidades de refugiados e migrantes, atenuar o seu sofrimento e diminuir os riscos em que incorrem. Apesar de terem permitido salvar vidas, tais iniciativas têm, porém, reduzida eficácia e não podem alterar o problema de fundo.

As políticas dos Estados Unidos da América em relação aos migrantes provindos da América Latina são por de mais conhecidas: barreiras, centros de detenção, separação de famílias, entre outras medidas desumanas.

O CPPC condena a exploração de situações de fragilidade dos refugiados e migrantes sejam quais forem os fins e, por maioria de razão, para manipulação política de emoções e sentimentos dos cidadãos.
Considera prementes políticas que combatam as causas que estão na raiz da existência de refugiados e deslocados e da migração económica, designadamente, políticas justas que respeitem a liberdade, a democracia, o progresso social, os direitos dos povos e a soberania dos estados. Para que a paz, a solidariedade e a cooperação se imponham como princípios respeitados por todos os países nas suas relações internacionais.

Apresentação do Livro Hiroxima - Fundação José Saramago

Como na época em que vivemos faz todo o sentido um livro de poemas sobre Hiroxima, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) em colaboração com a Âncora Editora e os coordenadores da edição de 1967 decidiram realizar uma nova edição ligeiramente aumentada. Com o coordenador, professor Manuel Simões, apresentámos este livro na Fundação José Saramago, em Lisboa, no passado dia 9 de Junho.
Esta segunda edição coincide com um momento muito complexo da situação internacional e com o lançamento, pelo CPPC, da petição pública “Pela adesão de Portugal ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares”, tendo em conta que as armas nucleares são uma das mais sérias ameaças que pendem sobre a Humanidade e o ambiente.
Por isso, assumiu particular importância a aprovação, em 2017, por 122 países participantes numa conferência realizada no âmbito das Nações Unidas, do Tratado de Proibição de Armas Nucleares, que entrou em vigor a 22 de janeiro de 2021, na sequência da sua ratificação por 50 países. Portugal ainda não assinou nem ratificou este tratado, apesar de o “desarmamento geral, simultâneo e controlado” ser um princípio consagrado na Constituição da República Portuguesa.
A edição deste livro insere-se nesta corrente de opinião que considera que a defesa da paz passa também por travar a corrida aos armamentos, designadamente nucleares.