
O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) denuncia a mais recente decisão de Israel de impedir 37 organizações de ajuda humanitária de desenvolverem o seu trabalho e prestarem cuidados essenciais na Faixa de Gaza.
Após mais de dois anos de genocídio por parte de Israel, a Faixa de Gaza encontra-se quase totalmente destruída e a situação humanitária permanece dramática: grande parte das intra-estruturas estão em ruínas; serviços essenciais como água e eletricidade são escassos; faltam alimentos, medicamentos e cuidados médicos; centenas de milhares de pessoas vivem em tendas improvisadas, na sequência da destruição das suas casas e abrigos e das sucessivas deslocações forçadas, sem condições necessárias para enfrentar as chuvas fortes e o frio.
É neste contexto que, para além de continuar a não cumprir com a entrada da ajuda humanitária com que se comprometeu no acordo de cessar-fogo – em vez dos 600 camiões diários previstos, têm entrado em média 244 camiões com ajuda humanitária na Faixa de Gaza –, Israel procura agravar de forma premeditada a já dramática situação de carência com que os palestinianos se confrontam, banindo da Faixa de Gaza 37 organizações que prestam serviços que vão desde assistência médica, distribuição de alimentos, abrigo, água e saneamento, educação e apoio psicológico.
A proibição por parte de Israel de organizações de ajuda humanitária nos territórios palestinianos não é nova. Em Janeiro de 2025, Israel proibiu a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), a principal agência da ONU que trabalha com o povo palestiniano, de prestar ajuda no território.
O CPPC condena veementemente esta medida, que entrou em vigor na quinta-feira, dia 1 de Janeiro, e que constitui mais um passo da política genocida de Israel, apoiada pelos EUA e as potências da NATO e a União Europeia. Após dois anos de massacres, sofrimento e destruição, é urgente a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, sem restrições e em quantidade suficiente.
Do Governo português exige-se que tome medidas e iniciativas que contribuam efetivamente para pôr fim à política genocida, de ocupação e de colonização, nomeadamente condenando claramente as restrições arbitrárias agora impostas por Israel à acção de organizações de ajuda humanitária.
O CPPC apela ao prosseguimento da solidariedade com o povo palestiniano e a sua luta pelo respeito e cumprimento dos seus inalienáveis direitos nacionais consagrados no direito internacional, incluindo em inúmeras resoluções das Nações Unidas, nomeadamente o direito a um Estado da Palestina nas fronteiras anteriores a Junho de 1967, com capital em Jerusalém Oriental, assegurando o direito de regresso dos refugiados palestinianos.
A Direção Nacional do CPPC
2-01-2026