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O CPPC saúda o início das negociações com vista a um processo de paz na Colômbia
 
Para todos os que lutam pela resolução pacífica dos conflitos a recente evolução da situação politica na Colômbia não pode deixar de merecer uma especial atenção.
 
O «Acordo Geral para o termo do conflito e para uma paz estável e duradoura», recentemente assinado entre o Governo da Colômbia, presidido por José Manuel dos Santos, e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP) é o resultado de um diálogo entre as partes que – iniciado há largos anos, mas sem alcançar sucesso –, foi retomado há seis meses, contando com a participação do Governo de Cuba e do Governo da Noruega, como garantes, e com o apoio do Governo da Venezuela, como facilitador de logística e acompanhante. Um acordo que poderá representar um passo decisivo para pôr fim a um conflito armado que se mantém, naquele país, desde há mais de 50 anos.


 
Por via deste conflito, ou a pretexto dele, o povo colombiano – sobretudo activistas políticos e sindicais e camponeses pobres –, tem sido vítima das mais inauditas violências.
 
Centenas de milhares de cidadãos foram mortos, sequestrados ou espoliados e expulsos das suas terras por milícias paramilitares, criadas e mantidas pelos grandes proprietários rurais, pelos senhores do narcotráfico, e bem assim pelas Forças Armadas do Estado colombiano com suporte militar dos Estados Unidos.
 
Este Acordo é, também, o reconhecimento do fracasso da campanha anti-guerrilha lançada conjuntamente pelo governo colombiano do Ex-presidente Álvaro Uribe e pelos Estados Unidos da América, em 2004, que não resolvendo pela violência nenhum dos problemas políticos que afligem o povo Colombiano, foi pretexto para que os Estados Unidos enviassem para o país milhares de militares e instalassem seis bases que lhes permitem actuar também em territórios de países vizinhos, como o Equador e o Brasil. Este Acordo, que prevê o desarmamento e a reinserção na sociedade colombiana de cerca de 10 000 guerrilheiros das FARC-EP, vai ao encontro dos anseios da esmagadora maioria do povo colombiano e é apoiado pela generalidade dos países da América Latina, sendo o seu desfecho positivo uma vitória da Paz naquele sub-continente.
 
No dia 15 de Outubro terá lugar em Oslo, Noruega, a primeira ronda de negociações, que se desenrolarão com o apoio dos governos de Cuba e Noruega, como garantes, e dos governos da Venezuela e do Chile, como acompanhantes.
 
É com esperança que o Conselho Português para a Paz e Cooperação saúda a vontade demonstrada pelas partes de pôr fim ao conflito, como condição para a construção de uma paz estável e duradoura, e pelos resultados até agora alcançados.
 
O CPPC faz votos para que se alcance um acordo final para o termo do conflito, que venha a ser implementado no mais curto prazo e que se traduza na perspectiva da paz, no caminho do progresso, do bem-estar e da democracia para o povo da Colômbia.