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O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) alerta para a gravidade da situação na Península da Coreia, na sequência do reforço da presença e da intensificação da pressão militares dos EUA contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), e para as imprevisíveis e dramáticas consequências de uma escalada belicista nesta região.

Após o recente ataque militar directo contra a Síria e o lançamento de uma bomba de grande potência numa zona remota do Afeganistão, o aumento dos meios e forças militares norte-americanas na Península da Coreia – com a instalação de novos sistemas de míssil e a presença de uma esquadra marítima – e das ameaças de agressão militar dos EUA à RPDC representam um novo e muito perigoso passo para a paz e a segurança, não só nesta região, como no mundo.

Uma vez mais, o pretexto dos EUA para o aumento das ameaças de ataque militar contra a RPDC não colhe, pois muito antes do início do programa nuclear coreano já os norte-americanos tinham colocado esse país no famigerado «eixo do mal» de George W. Bush – do qual os EUA já agrediram o Iraque, a Líbia e a Síria – e há muito que vinham realizando exercícios militares de grande envergadura em conjunto com a República da Coreia e o Japão, simulando ataques à RPDC.

Recorde-se que o Norte da Coreia foi massacrado pelas bombas dos EUA entre 1950 e 1953, quando estes foram obrigados a assinar um armistício, que ainda hoje se mantém, permanecendo no Sul da Península, desde então, muitos milhares de militares norte-americanos, dividindo a Coreia pelo paralelo 38.

Como há muito o CPPC vem afirmando, não faz qualquer sentido falar do justo objectivo de desnuclearização da Península da Coreia, ou no mundo, de forma unilateral, apontando apenas a uma das partes. Sobretudo não se pode deixar de fora desta exigência o país que detém dos maiores arsenais nucleares do mundo, que promove a sua modernização e instalação fora do seu território e afirma na sua doutrina militar a possibilidade da sua utilização num primeiro ataque: os Estados Unidos da América – que mantêm um contingente militar de dezenas de milhares homens na Coreia do Sul, possuem armas nucleares e frotas marítimas espalhadas pelo mundo, sendo capazes de as utilizar em qualquer parte do globo em muito pouco tempo.

Só por manifesta hipocrisia podem os EUA exigir de forma unilateral o que quer que seja em matéria de desnuclearização. O que serve verdadeiramente a causa da paz e da segurança no mundo é o necessário desmantelamento geral, simultâneo e controlado de todos os arsenais nucleares existentes no mundo.

Mas naquela região do globo, tal desígnio deverá ser acompanhado por outras medidas que dêem reais garantias à RPDC de que não será alvo de agressão militar por parte dos EUA. O que se impõe é a criação das condições para que o povo coreano, sem ingerências nem pressões externas, possa unificar a sua pátria, dividida há tempo de mais por razões que lhe são totalmente alheias. Tal legítima aspiração não será possível de concretizar sem o fim da escalada militarista e as ameaças de agressão dos EUA contra a RPDC, que o CPPC condena.

O CPPC apela à expressão da exigência da paz, do fim da escalada militarista e da resolução do conflito por meios pacíficos, no quadro do respeito dos Princípios da Carta das Nações Unidas.