Outras Notícias

 

A convite do do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Nórdica Verde (GUE / NGL), no Parlamento Europeu, o CPPC participou no seminário sobre os 70 anos da vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial realizado no passado dia 13 de Maio.

Leia aqui a intervenção de Ilda Figueiredo:

Comemorando 70 anos da vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial

70 anos depois da II Guerra Mundial, a ofensiva da extrema-direita, das forças fascistas e nazis e o perigo da guerra

Intervenção do Conselho Português para a Paz e Cooperação – CPPC

Em nome do Conselho Português para a Paz e Cooperação e como Coordenador para Europa do CMP agradeço o convite do GUE/NGL (de que eu própria fui membro durante mais de 12 anos) e saúdo todos os participantes neste importante seminário.
Quando se assinala o 70.º aniversário da vitória sobre o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) reafirma a sua determinação em prosseguir e intensificar a acção de esclarecimento e mobilização da opinião pública para a defesa da Paz, da segurança e cooperação internacionais e para a amizade e solidariedade entre os povos, dando o seu contributo para que tragédia semelhante à que terminou há 70 anos nunca se venha a repetir.

Perante as ameaças e os perigos que a actual situação internacional comporta – com a disseminação de focos de tensão e conflitos, com a crescente tensão entre potências nucleares, com a proliferação de bases militares estrangeiras e uma inédita corrida aos armamentos –, o CPPC realça a necessidade de mobilizar vontades e despertar energias em favor da Paz, do desarmamento, da dissolução dos blocos político-militares, do fim das bases militares estrangeiras, do respeito pela soberania dos estados e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas. É este o caminho que interessa à Humanidade. É este o compromisso de sempre do CPPC.

O CPPC entende ser este o momento indicado para valorizar os que resistiram, que deram a liberdade e a própria vida para pôr fim à guerra, para libertar os povos subjugados, para pôr fim à tirania nazi-fascista. E, também, para realçar os avanços alcançados no pós-guerra pelos povos da Europa e do mundo: à saúde, à educação, à protecção social, à igualdade entre homens e mulheres e, no caso dos povos das colónias e países dependentes, o direito a decidirem soberanamente do seu destino, pondo fim aos impérios coloniais.

Evocar a vitória sobre o nazi-fascismo obriga todos quantos defendem a paz, a liberdade e a solidariedade a repudiar e combater activamente o regresso de valores retrógrados, de tipo fascizante, neocolonial e belicista; a desmascarar os interesses e falsos pretextos que se escondem por detrás das guerras; a intervir com convicção para defender a paz, valor essencial para garantir o bem-estar, o desenvolvimento, a felicidade e a própria vida no planeta.

Sete décadas após esta data histórica, graves ameaças pairam sobre os povos do Mundo: os focos de tensão multiplicam-se, do Médio Oriente à Ásia Central, da Europa de Leste ao Pacífico, de África à América Latina; a tensão das potências ocidentais, designadamente dos EUA, da União Europeia e da NATO, face à Federação Russa e à China, assume proporções inéditas e consequências imprevisíveis; a corrida aos cada vez mais sofisticados e destruidores armamentos e as despesas militares não mostram sinais de abrandamento.

Em muitos países ressurgem tendências securitárias e antidemocráticas face às políticas anti-sociais, ditas de austeridade, de que temos diversos exemplos na Europa, a que acrescem as graves consequências da destruição de países no norte de África, como a Líbia, e no Médio Oriente, com destaque para a tragédia dos imigrantes e a sua morte no Mediterrâneo, a manutenção do colonialismo no Sara Ocidental, a ocupação da Palestina por Israel. ´também verdade que noutros países se registem processos de avanço libertador e democrático, como vemos na América Latina, os quais, no entanto, continuam sob grande pressão a exigir também a nossa solidariedade.

Por isso, perante tais perigos e ameaças, é mais importante do que nunca continuar e alargar o campo dos defensores activos da Paz.

Neste aniversário, o CPPC evoca o surgimento, poucos anos após o fim da guerra, de um movimento da paz democrático, progressista e antifascista, que congregou conhecidas personalidades das artes, da cultura e da ciência, de diferentes nacionalidades, convicções políticas e crenças religiosas. Criado em 1949-50, o Conselho Mundial da Paz (que o CPPC integra) constituiu-se como um polo agregador de todos os que se opunham e opõem à guerra, às armas nucleares e de destruição massiva, à corrida aos armamentos e às bases militares estrangeiras. O Apelo de Estocolmo, pela proibição das armas nucleares, recolheu muitos milhões de assinaturas em todo o mundo. Em Portugal estamos a assinalar os 65 anos deste Apelo com uma iniciativa pública e um abaixo-assinado contra as armas nucleares.

De igual modo, estamos a procurar organizar com outras associações e sindicatos iniciativas de denúncia das manobras militares da NATO que vão decorrer em grande escala em Portugal, Espanha e outros países do sul da Europa, no próximo outono.

Também temos estado a realizar exposições de denúncia da guerra e da luta pela paz, conferências e palestras em escolas e colectividades em diversas regiões de Portugal alertando para os perigos da guerra, denunciando o fascismo, lutando contra o branqueamento da história.

E no próximo sábado vamos também organizar, em Lisboa, uma conferência a propósito dos 70 anos da Vitória sobre o nazi-fascismo e a defesa da Paz. Alguns dos presentes irão participar, mas gostaríamos que todos o pudessem fazer. Lá daremos conhecimento deste importante debate que aqui estamos a realizar.

Confiando na justeza dos seus ideais e princípios e na construção de um futuro melhor, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma, com inabalável determinação, o seu compromisso de sempre: agir lado a lado com todos os homens e mulheres que resistem e intervêm, no plano nacional e internacional, com a aspiração e a convicção de que é possível um mundo justo, democrático, solidário e de Paz.

Ilda Figueiredo