
Foram muitos os que, na segunda-feira, 5 de Janeiro, se concentraram junto à estátua de Simón Bolívar, em Lisboa, para repudiar a agressão militar dos EUA contra a Venezuela e o rapto do presidente Nicolas Maduro e da esposa, Cília Flores, ocorridos dois dias antes. A ação foi convocada pelo CPPC, à qual se associaram organizações e coletivos que estiveram presentes nesse final de tarde. Entre bandeiras venezuelanas, cubanas e de muitas das organizações presentes, ouviram-se palavras de ordem como “Venezuela soberana é bolivariana”, “Os povos dizem não à agressão, EUA do petróleo tira a mão”, “Venezuela não se rende, soberania não se vende” ou “imperialismo não é futuro, liberdade para Maduro”. Os Ritmos da Resistência acrescentaram confiança e calor à solidariedade.
Apresentada por Inês Jorge, do Projeto Ruído – Associação Juvenil, a concentração contou com as intervenções de representantes do CPPC, da CGTP-IN e da Associação de Amizade Portugal-Cuba (AAPC). Pelo CPPC, Isabel Camarinha salientou que «as declarações de Trump e seu séquito falam por si e revelam com clareza quais são os verdadeiros interesses dos EUA: pretendem apoderar-se, de novo, dos imensos recursos naturais da Venezuela, país que tem as maiores reservas de petróleo do mundo e é rico em gás natural, ouro, água doce e diversos minerais raros de grande utilização industrial». Dinis Lourenço, da CGTP-IN, lembrou as 1081 sanções e medidas coercivas impostas pelos EUA e a UE à Venezuela para asfixiar a sua economia, prejudicar o seu povo e assim procurar derrotar o seu projeto emancipador. Sandra Pereira, da AAPC, denunciou as ameaças dos EUA contra Cuba e valorizou a resistência dos povos, que «há muito lutam pela sua soberania». Os EUA, denunciou, autodenominam-se a “maior democracia do mundo” mas são na verdade «um perigo para os povos do mundo e a sua ganância é ilimitada».
Todos repudiaram a postura seguidista do Governo português, que não só não condenou a agressão norte-americana como até encontrou nela “intenções benéficas”. Como salientou Isabel Camarinha, o que o Governo faz é associar-se e legitimar a agressão, «o que é vergonhoso» e contraria a Constituição da República Portuguesa.
A presidente da direção nacional do CPPC reafirmou, ao terminar a sua intervenção, exigências centrais que estiveram na base da convocação da iniciativa: «Daqui exigimos o fim da agressão e a libertação do Presidente da República Bolivariana da Venezuela e da sua esposa e exigimos ao governo português o cumprimento da Constituição da República Portuguesa que preconiza o respeito pela soberania e os direitos dos povos e a eliminação de todas as formas de dominação nas relações entre os Estados. Daqui reafirmamos a solidariedade com a Venezuela bolivariana, a defesa da paz, da soberania e dos direitos do povo venezuelano e dos outros povos da América Latina e Caraíbas! Paz Sim! Guerra não! Venezuela Vencerá!»