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Opinião

  • Por Frederico Carvalho, Vice-presidente do Conselho Executivo da Federação Mundial de Trabalhadores Científicos e membro da Presidência do CPPC

    Olhando para trás, para um tempo histórico recente, pode dizer-se que o despertar de uma consciência colectiva da responsabilidade social associada ao conhecimento científico, radicou em larga medida na perspectiva da utilização militar do “fogo atómico” ― chamemos-lhe assim ― que se tornou real num curto espaço de tempo, com o homicídio em massa da população civil de Hiroshima e Nagasaki, dificilmente justificável no plano militar mas de grande interesse para os seus mentores, como ensaio real, “no terreno”, da operacionalidade, capacidade destrutiva e efeitos colaterais dos explosivos nucleares.

    Foi na alvorada desse processo histórico de domínio do referido “fogo atómico” pelo homem, que se levantaram as vozes de alguns dos mais eminentes homens de ciência de então, alertando para os riscos para a própria sobrevivência da espécie que a utilização da energia nuclear para fins militares trazia consigo. Um desses homens foi Frédéric Joliot-Curie, herói da resistência francesa ao invasor nazi e pacifista convicto, primeiro presidente do Conselho Mundial da Paz, co-fundador, em 1946, da Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos que prossegue hoje, passadas quase sete décadas, o mesmo combate pala Paz. Em certa altura da sua vida, Albert Einstein exprimiu o sentimento de que “a libertação da energia do átomo tudo mudou excepto a nossa forma de pensar (…)”. Em 1955, em plena “guerra fria”, poucos meses antes de morrer afirmou: “Cometi na minha vida um grande erro (…) quando assinei a carta para o Presidente Roosevelt recomendando que se fizesse a bomba atómica (…) ”.

  • Por António Avelãs Nunes, Professor Catedrático e Presidente da Mesa da Assembleia da Paz do CPPC

    11/01/2015

    Tenho acompanhado as imagens e os comentários sobre o massacre na sede do Charlie Hebdo, em Paris. Também eu penso que se trata de um massacre, algo que a civilização não pode comportar. Mas também penso, creio que bem acompanhado, que, no plano político, se queremos combater a barbárie e preservar a civilização, não podemos limitar-nos a protestar contra este massacre e a chorar a história trágica dos assassinos e dos assassinados.

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    Por José António Gomes, Professor do ensino superior; crítico literário, escritor

    Poucos acontecimentos haverá tão dilacerantes e traumáticos na história moderna como as duas bombas atómicas que arrasaram, em 6 e 9 de Agosto de 1945, Hiroxima e Nagasaki, provocando um quarto de milhão de mortos num Japão que já dera passos no sentido da capitulação – e que é também, paradoxalmente, um país símbolo da delicadeza e do rigor, do culto das flores e da caligrafia, da meditação zen e da poesia… Com esta acção injustificada e criminosa, num momento em que a “guerra fria” se encontrava no horizonte, os EUA não só davam sinal da tremenda força destruidora do seu poder militar, como afirmavam os seus intentos imperialistas perante o mundo. A terrível herança: exposição à radiação na origem de doenças cancerígenas, mutilações e deformações gravíssimas, monstruosas malformações que afectariam as gerações seguintes. O combate pela paz e contra a proliferação de armas nucleares prolongar-se-ia até aos dias de hoje, com picos de luta na Europa, nas Américas e no resto do mundo nos anos 70-80 do século XX. Por isso, se mantém na ordem do dia a campanha pela paz e contra o armamento nuclear. Esta deverá ser também firme resistência ao militarismo de agressão da NATO, da UE e dos EUA que, ao ritmo da ganância e das crises do capitalismo global, tem semeado guerra, violência e miséria na Europa, no Médio Oriente e na África.

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    Há muito que o movimento internacional da paz denuncia a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)como a máquina de guerra do imperialismo, difundindo informações e opiniões que ajudam a esclarecer os povos sobre o que representa esta aliança. Atuando em cada país e conjuntamente, as quase 100 organizações que constituem o Conselho Mundial da Paz (CMP), em aliança com diferentes forças democráticas pelo mundo, empenham-se numa campanha por sua dissolução.

    Rumo à cúpula da Otan, em Varsóvia, capital polaca, as entidades que integram o CMP e seus aliados reforçam a campanha "Sim à Paz! Não à Otan!" que tem buscado transmitir a mensagem clara de rechaço completo à maquinaria que ameaça os povos mundo afora.

  • Divulgamos texto de Socorro Gomes presidente do Conselho Mundial da Paz e do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), sobre a situação no Brasil:

    O povo brasileiro vai derrotar a vilania e o golpe

    A infâmia e a vilania foram as protagonistas neste domingo (17/04), na Câmara dos Deputados. Uma sessão para encher de opróbrio os responsáveis da odiosa trama urdida pelo vice-presidente da República, Michel Temer, cuja lembrança vai encher de vergonha os brasileiros por muitas gerações.

    Aquele que quer usurpar o mandato conferido à presidenta Dilma pelo voto de 54 milhões de brasileiros passará à história como o homem que usou seu cargo de vice-presidente para tramar e conspirar e, percorrendo o odioso caminho da traição à Constituição que jurou defender, chegar ao poder sem votos, golpeando a democracia e a vontade popular.

  • por Sérgio Ribeiro
    Membro da Presidência do CPPC

    Aproveitou-se a efeméride dos 60 anos do Tratado de Roma para ver se se conseguia dar algum alento à chamada União Europeia, tão debilitada que bem parece carecer de cuidados intensivos.
    Pouco terá ajudado a diversão do aproveitamento das “bocas foleiras” e, até, insultuosas do mui zeloso presidente “in nomine” do Eurogrupo, aliás em funções inevitavelmente a curto termo e que mais não disse que o que coerentemente executa como executivo ou mais visível do grupo. Como foram paliativos os pomposos cenários “para o futuro da Europa” enunciados pelo sempre um pouco circense presidente da Comissão e apresentados como se fossem para debate (entre quem?, com quem?, quando?, como?).

  • por José Goulão*

    O cessar-fogo na Síria patrocinado pelos Estados Unidos e a Federação Russa, levando a reboque uma ONU cada vez mais desqualificada, manipulada e irrelevante, poderá poupar vidas humanas, permitir um sabor de normalidade a populações sujeitas há meia década ao pavor da guerra, proporcionar até alguns dias e noites livres da angústia do medo. Mas pode ser também uma traiçoeira ilusão, se os tutelares desta iniciativa não forem além dela de forma a encontrarem uma solução capaz de restabelecer a soberania, a integridade e a paz na Síria.

    Este é o cerne da questão. Além de precário e periclitante, o cessar-fogo não está a ser acompanhado por medidas credíveis capazes de o consolidar e transformar em acordo de paz. Procurando não interpretar as violações já cometidas como sinais de fracasso à vista – como fazem os que vêem na guerra um caminho inevitável – a verdade é que os episódios de violência ocorridos já durante a suspensão dos combates revelam a fragilidade do acordo, apesar de conseguido pelas duas mais poderosas potências mundiais.