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O Conselho Português para a Paz e Cooperação assinalou, ontem, no Porto, em colaboração com a Universidade Popular do Porto, o Dia Internacional para a eliminação total das armas nucleares.

Na iniciativa participaram, entre outros, a embaixadora de Cuba, Johana Tablada, o médico Sérgio Vinagre, o escritor José António Gomes e Ilda Figueiredo em representação do CPPC.

Os intervenientes justificaram a importância da iniciativa considerando que o desarmamento nuclear global é uma questão central na defesa da paz, para a sobrevivência da própria espécie humana e da manutenção da vida sobre a Terra como hoje a conhecemos.

Recordando o holocausto de Hiroxima e Nagasaki, em 1945, quando, pela primeira e única vez, os Estados Unidos da América lançaram duas bombas atómicas sobre as populações de duas cidades japonesas, causando centenas de milhares de mortos e efeitos que até hoje perduram, salientaram que a partir de então houve grande desenvolvimento do armamento nuclear. E dos muitos milhares de ogivas nucleares armazenadas em instalações militares, de que uma parte significativa está pronta a ser utilizada, apenas um por cento chegaria para libertar a energia equivalente a 4000 bombas de Hiroxima e destruir a civilização humana.

Com a multiplicação de guerras, há razões para pensar que a terrível ameaça de uma conflagração nuclear, longe de ter desaparecido, é hoje mais séria do que nunca. Daí a importância da iniciativa da Assembleia-Geral das Nações Unidas que, em 2013, designou o dia 26 de Setembro como Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares. Este dia e esta data devem servir para promover e aprofundar a consciência dos cidadãos e dos povos, em todos os pontos do mundo, da necessidade de desmantelar por completo os arsenais nucleares existentes.

Desde o Apelo de Estocolmo, promovido pelo Conselho Mundial da Paz em 1950, que os amantes da paz se empenham na luta pelo fim das armas nucleares. Pressionados pela posição de numerosos países progressistas, do movimento da paz e de uma opinião pública cada vez mais esclarecida, ao longo dos anos, as principais potências nucleares negociaram vários acordos que limitavam o número e qualidade das bombas nucleares que detinham e dos respectivos vectores de transporte e que apontavam como objectivo o seu total desmantelamento, de que é exemplo o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares com diversos compromissos que não foram cumpridos até hoje

Actualmente possuem armas nucleares os Estados Unidos, a Federação Russa, a França, o Reino Unido e a China. Outros países assumem ter ou são apontados como tendo armas nucleares, como a Índia, o Paquistão, Israel ou a República Popular Democrática da Coreia.

Houve uma redução substancial do número de ogivas nucleares por parte, designadamente, das duas principais potências nucleares militares. Mas, ao mesmo tempo, prosseguiram activamente e hoje de forma mais acelerada, os trabalhos de desenvolvimento e fabricação de engenhos nucleares militares tecnologicamente mais evoluídos e mais eficazes, como já fez os EUA e pretende fazer o Reino Unido. A posição das potências membros da NATO, que possuem armas nucleares tem tido, claramente, uma posição dúplice, ao longo dos anos, no que toca à implementação das disposições do Tratado de Não-proliferação, em qualquer dos seus três pilares. Recorde-se a doutrina de primeiro ataque nuclear adoptada pelos EUA, incluindo contra países não possuidores de armas nucleares, ou as recentes declarações da Primeira-ministra britânica que, defendendo a renovação dos misseis Trident (nucleares) com um custo calculado em mais de 40 mil milhões de libras, admitiu autorizar o uso da arma nuclear contra outro país mesmo causando 100 mil mortos entre a sua população.

A embaixadora de Cuba sublinhou o papel de Cuba na sensibilização e na luta para a eliminação total das armas nucleares e na defesa da paz, referindo-se de modo particular à assinatura, ontem, do acordo de paz entre a Colômbia e as FARC, negociado em Cuba ao longo de quatro anos, e à declaração de Zona de Paz da América Latina e do Caribe em 2014, numa cimeira da CELAC.

Da parte dos assistentes na sessão foi sublinhada a importância de conseguir a eliminação total das armas nucleares como passo indispensável no caminho da construção de uma Paz justa e duradoura, salientando que a única garantia de que nunca serão usadas de novo armas nucleares é através da sua destruição, o que também liberta meios financeiros para apostar na justiça e progresso social, caminho indispensável para chegar à paz.

No final, sublinhou-se apelo do Conselho Português para a Paz e Cooperação a todos os amantes da paz para reforçar a exigência do desarmamento global nuclear e o fim da corrida aos armamentos.