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O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) manifesta a sua profunda preocupação pela revisão da política nuclear dos EUA, tornada pública pelo Pentágono no passado dia 2 de Fevereiro.

O CPPC considera que a denominada revisão da política nuclear dos EUA (Nuclear Posture Review – NPR) representa um passo particularmente perigoso na escalada militarista que marca o nosso tempo, que poderá ter catastróficas consequências para a Humanidade, a não ser contrariada através de fortes iniciativas a favor da Paz mundial.

Com a NPR, a Administração norte-americana assume a intenção de expandir, desenvolver e modernizar o seu arsenal de armas nucleares e diversos componentes da chamada tríade nuclear – composta por: mísseis balísticos intercontinentais terrestres, bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos lançados por submarinos –, e que é acompanhada da possibilidade da utilização de armas nucleares por outro tipo de vectores e da instalação de um sistema anti-míssil de âmbito global, particularmente visando a Rússia e a China – rompendo com acordos de desarmamento, como o «Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário», de 1987.

Recorde-se que os EUA foram o único país que já usou armas nucleares – sobre as populações das cidades japonesas de Hiroxima e Nagasáqui, em 1945 –, são o país que mais gasta em armas nucleares e que mais ensaios nucleares fez.

Não menos preocupantes são os motivos com que se pretende justificar esta revisão da política nuclear dos EUA, reveladores de uma política externa belicista, que define claramente como alvos: em primeiro lugar, a China e a Rússia, mas também a Coreia e o Irão.

No documento norteador desta política são enunciadas as «ameaças» a serem combatidas através do novo incremento do poderio nuclear norte-americano: convencionais, químicas, biológicas, nucleares, espaciais e cibernéticas, mas também ditos «actores violentos não estatais» – possibilitando a realização de um primeiro ataque nuclear pelos EUA, mesmo contra adversários não possuidores de armas nucleares.

Esta revisão da política nuclear norte-americana promoverá a corrida aos armamentos, com graves implicações no aumento dos já fabulosos gastos militares ao nível mundial e num cada vez maior risco de conflito entre potências nucleares.

Ao nível das despesas militares, os EUA assumem sozinhos cerca de 40 por cento do total das despesas militares efectuadas ao nível mundial. Os três países seguintes (China, Arábia Saudita e Rússia), juntos, não chegam a metade dos 600 mil milhões gastos pelos EUA.

Importa ter presente que a utilização de apenas uma pequena parte dos actuais arsenais nucleares seria suficiente para pôr fim à vida na terra.

O desafio que a Humanidade tem perante si não é o da expansão, desenvolvimento e modernização dos arsenais nucleares actualmente existente, mas, pelo contrário, a da sua redução e total desmantelamento.

Repudiando esta decisão da Administração norte-americana e alertando para as suas perigosas consequências, o CPPC reafirma a urgência de avançar decididamente para iniciativas de Paz que tenham em vista a redução da actual tensão internacional e a promoção do desarmamento geral, simultâneo e controlado, visando particularmente e com a maior urgência o fim das armas nucleares e de destruição massiva – objectivo para o qual, a entrada em vigor do Tratado de Proibição de Armas Nucleares constitui um objectivo particularmente importante.

Direcção Nacional do CPPC