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nos 100 anos do fim da primeira guerra mundial unir esforcos e vontades para defender a paz 1 20181110 1654578179

Assinala-se no próximo dia 11 de Novembro, o Dia do Armistício, que em 1918 pôs fim à Primeira Guerra Mundial.

A Grande Guerra, envolvendo as maiores potências económicas e militares da época (de um lado os impérios alemão, austro-húngaro e turco; do outro os impérios britânico, francês e russo e os EUA, entre outros), resultou de rivalidades entre elas pelo domínio de colónias, rotas comerciais e mercados – em nome desses interesses foram sacrificadas 20 milhões de vidas humanas. Neste conflito generalizado, travado na maior parte do tempo nas deploráveis condições das trincheiras, foram pela primeira vez utilizadas – pelo menos em grande escala – armas como aviões de combate, carros blindados, submarinos, artilharia pesada e armas químicas.

Uma vez terminada a Guerra, tinham desaparecido quatro grandes impérios – o alemão, o austro-húngaro, o russo e o otomano – e surgido muitos outros países, numa profunda redefinição do mapa político europeu. Após o armistício, poderosos movimentos populares reclamaram liberdades e direitos; em breve, o fascismo surgiria como reacção das classes dominantes à vaga de contestação do movimento operário e popular que varreu a Europa e aos ventos revolucionários que então sopravam da Rússia soviética.

Um século após o armistício, são muitas as lições da Primeira Guerra Mundial que importa reter. Desde logo, é importante ter presente que a guerra das potências imperialistas tem, sempre, motivações económicas e geo-estratégicas, por mais que se escondam por detrás de princípios aparentemente generosos como a defesa da «civilização», da «democracia» ou dos «direitos humanos». Hoje, as tentativas desesperadas dos EUA, a que se juntam interesses igualmente importantes da União Europeia e seus aliados, designadamente no âmbito da NATO, – assentes na proliferação da ingerência, chantagem e guerras de agressão, no militarismo e no desrespeito pelo direito internacional –, para travar o seu declínio relativo e conter o desenvolvimento da China e a afirmação da Federação Russa, representam perigos reais para a Humanidade a que o movimento da paz deve dar resposta.

É fundamental também retirar as ilações necessárias da desastrosa participação de Portugal na Guerra. Das motivações – a manutenção do império colonial e a afirmação internacional da República – à forma concreta que assumiu – carne para canhão subordinada às forças britânicas –, essa participação foi a de um país subalterno, sem uma política externa independente, ao serviço das maiores potências da época.

Em pleno século XXI, Portugal não deve assumir uma postura semelhante, ao submeter a sua política externa aos interesses das grandes potências da NATO e da União Europeia, contra os próprios interesses do País e à revelia da Constituição da república Portuguesa.

Cem anos após o armistício, o Conselho Português para a Paz e Cooperação reafirma o seu compromisso com a criação de uma ampla convergência de vontades pelo desanuviamento das relações internacionais, pelo respeito da soberania dos povos e da independência dos Estados, conforme preconizado na Carta das Nações Unidas e no direito internacional; pela rejeição das guerras de agressão, pelo fim da corrida aos armamentos, pela abolição das armas nucleares, pelo encerramento das bases militares estrangeiras, pelo fim dos blocos político-militares, pelo fim da política de chantagem, de ingerência, de bloqueios e de sanções nas relações internacionais; e em defesa da paz, do desarmamento, do progresso, da solidariedade.

Direcção Nacional do CPPC