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O Conselho Português para a Paz e Cooperação manifesta a sua profunda preocupação e denuncia o clima de violência que se vem instalando na Ucrânia, degenerando em guerra civil, na sequência da quebra da ordem constitucional e da intromissão de interesses e forças externas. A violenta repressão exercida contra a população ucraniana que rejeita o poder golpista que tomou o poder em Kiev está a ser protagonizada por forças fascistas coniventes com o poder ilegítimo que ajudaram a instalar na Ucrânia.

O CPPC condena vivamente o massacre perpetrado, no passado dia 2 de Maio em Odessa, por forças fascistas com o consentimento das autoridades golpistas que tomaram o poder. Umas e outras não escondem a influencia de ideologia e objectivos de natureza fascista e nazi, e consequente acção arbitrária, violenta e xenófoba. O poder golpista de Kiev não hesita em utilizar forças militares contra a população ucraniana que continua a não reconhecer o governo ilegítimo e se manifesta contra as forças fascistas.
Como o CPPC denunciou anteriormente, a desestabilização da Ucrânia é, no essencial, da responsabilidade dos EUA, da UE e da NATO, ao serviço dos seus interesses, fazendo parte dos seus esforços para expandir a sua esfera de influência e cercar a Federação Russa.

No ano em que se assinalam 100 anos do início da Primeira Grande Guerra e 75 do início da Segunda assistimos, uma vez mais, à promoção de forças de extrema-direita e ao ressurgir de forças fascistas, com o beneplácito de grandes potências.

O CPPC denuncia e lamenta a forma como os acontecimentos na Ucrânia são transmitidos pelos média internacionais e portugueses que, perante factos gravíssimos e a barbárie de massacres como em Kiev e agora em Odessa, insistem em deturpar e em encobrir responsáveis, assim como o carácter e a natureza dos que ilegitimamente tomaram o poder e dos que os apoiam. É uma clara manipulação da opinião designar "lutadores pela democracia" os grupos fascistas e nazis, enquanto classificando de "separatistas pró-russos" todos os que se manifestam contra o novo poder, cuja legitimidade não tem origem nem aceitação popular na maioria do país.

Sublinhamos que é obrigação do Governo Português agir em consonância com o artigo 7º da Constituição da República Portuguesa, distanciando-se e denunciando quaisquer tentativas de ingerência na situação na Ucrânia – como é, por exemplo, o anúncio da participação de meios das forças armadas portuguesas em provocatórias deslocações da NATO para a região – e insistimos na necessidade de uma atuação que respeite a soberania e a resolução pacífica dos conflitos.

À população ucraniana, a todos os anti-fascistas e democratas ucranianos, e, em particular, às vítimas da violência e seus familiares, o CPPC dirige a sua mais profunda solidariedade e votos de que a Paz possa florescer numa Ucrânia democrática, progressista e soberana.

7 de Maio 2014

Direcção Nacional do CPPC

Vê as posições anteriores:

https://www.cppc.pt/dossiers/regioes-do-globo/europa/615-tensao-politica-ucrania

https://www.cppc.pt/dossiers/temas/solidariedade-e-cooperacao/599-fim-as-operacoes-de-ingerencia-externa-na-ucrania