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pela paz e o desarmamento nao a militarizacao da uniao europeia 1 20190129 1766480038

É com grande preocupação que as organizações da Europa membros do Conselho Mundial da Paz seguem o rumo acelerado de aprofundamento da militarização da União Europeia (UE).

As organizações da Europa membros do Conselho Mundial da Paz apelam ao envolvimento e à acção resoluta e convergente de todas as organizações e indivíduos que defendam a paz para que rejeitem e se oponham à militarização da UE – a UE, sozinha e/ou com a NATO, está a actuar contra os povos.

 

Nós apelamos
- à rejeição e oposição da militarização em curso da UE e denunciamos os objectivos da Cooperação Estrutural Permanente (PESCO) – onde participam a Áustria, Bélgica, República Checa, Croácia, Chipre, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Holanda, Polónia, Portugal, Roménia Eslovénia, Eslováquia, Espanha e Suécia – e da Iniciativa Europeia de Intervenção – com a participação da Bélgica, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Portugal, Espanha, Reino Unido –, que constituirão novos instrumentos de intervenção e agressão imperialistas em muitas regiões do mundo.
- a denunciar que se encontram em discussão a chamada Política Europeia Industrial de Defesa e o Fundo Europeu de Defesa, que têm o objectivo de coordenar, complementar e aumentar os investimentos na investigação e desenvolvimento militares, aquisição de equipamento bélico e no financiamento das «unidades de combate» da UE.
- a denunciar que está em discussão o chamado «Exército Europeu», recentemente defendido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e pela Chanceler alemã, Angela Merkel, que – não sem rivalidades e contradições com os EUA e mesmo no interior da UE – assume cada vez mais a militarização da UE como o pilar europeu da NATO ou complementar a este bloco político-militar agressivo.
- a denunciar que, com o pretexto de «combater o terrorismo», em vários países e ao nível da UE, é promovida uma deriva «securitária», atacando liberdades, garantias e direitos fundamentais.
- a condenar a ratificação, na Cimeira da NATO em Bruxelas, em 2018, do aumento das despesas militares, de cada país membro da NATO, para 2% do PIB, o que levará a um aumento de 250 mil milhões de dólares de gastos militares para o Canadá e para os membros europeus da NATO até 2024 – isto quando os EUA têm já um orçamento militar recorde para 2019, que excede os 700 mil milhões de dólares, e quando EUA/NATO/UE e os seus principais aliados são responsáveis por mais de 70% do total mundial de despesas militares.

Também é com grande preocupação que observamos os numerosos exercícios militares que têm lugar em cada ano na Europa, como o «Arctic Challenge», «Cold Response», «Nordic Air Meet» e «Trident Juncture», ligados ao Comando Estratégico dos EUA (StratCom).

Ao longo das últimas décadas, a União Europeia tem apoiado ou sido conivente com agressões militares e acções de desestabilização desencadeadas pela NATO, ou pelos seus membros, contra a soberania e independência de Estados.

A militarização da UE, em coordenação com a NATO, não é um passo na direcção da defesa da paz; pelo contrário, representa mais militarismo, maiores gastos militares, crescente intervencionismo e a a ameaça da guerra.

Os EUA, a NATO e a UE, na sua ânsia de dominação global, são as maiores ameaças contra a paz e os povos do mundo. São responsáveis pelo aumento exponencial dos gastos militares, pela corrida a novos, mais sofisticados e destrutivos armamentos – nomeadamente armas nucleares – e pela escalada da ingerência, ameaças, provocações e operações de desestabilização, pela intensificação dos riscos do desencadear de mais conflitos que podem levar a consequências de proporções inimagináveis para a Humanidade – um risco que pode e tem de ser prevenido!

Ao mesmo tempo, a UE, enquanto estrutura política, económica e militar supranacional – dominada pelas grandes potências, especialmente a Alemanha –, continua a fomentar as suas políticas contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores e dos povos, contra a soberania e a independência nacionais, tentando impor a crescente exploração e atacando direitos laborais e outros direitos sociais, originando os altos índices de instabilidade laboral, precariedade, pobreza e degradação das condições de vida de milhões e milhões de trabalhadores, reformados, pensionistas, jovens, mulheres e crianças.

Pela Paz e o desarmamento, rejeitando e opondo-se à militarização da União Europeia, todas as forças e indivíduos que defendem a paz necessitam defender valores como o do direito dos povos à auto-determinação, soberania nacional e independência, a não ingerência no assuntos internos dos Estados, a resolução pacífica dos conflitos internacionais e o fim de todas as formas de opressão, o desarmamento universal, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares, a cooperação entre os povos e os países, pela emancipação e progresso da Humanidade, por uma nova ordem mundial de Paz.