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É com profunda preocupação que o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) acompanha a escalada de tensão em torno da Síria e repudia veementemente as ameaças dos EUA, Reino Unido e França de uma nova agressão contra aquele país.

Esta nova agressão seria não só totalmente ilegítima e ilegal como teria imprevisíveis e graves consequências, com repercussões não só no Médio Oriente, mas também por todo o mundo.

A Síria, com os seus aliados, já fez saber que responderá firmemente a qualquer nova escalada na agressão de que é vítima desde há sete anos.

Importa afirmar que a nova escalada militar contra a Síria e o seu povo se suporta na alegada utilização de armas químicas em Douma, que os EUA e seus aliados atribuem à Síria. No entanto nada comprova esta alegação. Aliás a Síria nega ter qualquer responsabilidade no que terá acontecido em Douma, e considera que deverá ser cabalmente esclarecido o que efectivamente se passou, disponibilizando-se a contribuir para que a verdade impere, através de uma investigação efectivamente isenta e independente.

Recorde-se que a Síria entregou e desmantelou todo o seu arsenal de armamento químico – que constituía uma salvaguarda face a uma agressão de Israel, único país do Médio Oriente que possui a arma nuclear e que ocupa ilegalmente, desde 1967, território sírio – os Montes Golã.

Ao mesmo tempo, têm vindo a ser denunciada a possibilidade de acções de carácter provocatório, num derradeiro esforço para provocar uma escalada da intervenção por parte dos EUA, da França, do Reino Unido e seus aliados, face à derrota dos grupos terroristas apoiados por estes.

A ligeireza com que os dirigentes das referidas potências ocidentais responsabilizam o governo sírio e seus aliados pela alegada utilização de armas químicas, chegando ao ponto de afirmar – como fez nas Nações Unidas a representante dos EUA – que não é sequer necessário mostrar quaisquer provas, revela aquelas que são as suas reais intenções: continuar a agressão contra a Síria e o seu povo, com o seu legado de morte, sofrimento e destruição.

É importante não esquecer que o derrube do governo sírio é um objectivo antigo dos EUA e seus aliados na região, que à semelhança do que sucedeu noutros casos (como o Iraque e a Líbia), utilizam toda a espécie de pretextos e falsidades para atingir os seus propósitos. As «armas de destruição massiva» do Iraque e os «massacres sobre populações civis» na Líbia, pretextos que a vida veio a provar serem falsos, como na altura o CPPC denunciou, são replicados na Síria com os mesmos tenebrosos objectivos.

A agressão à Síria, porém, insere-se numa acção mais vasta de confrontação dos EUA e seus aliados com muitos outros países e povos do mundo, nomeadamente com a Federação Russa (e também com a China), que tem nas provocações recentes, de que é exemplo o «caso Skripal» e no reforço da presença militar na NATO no Leste da Europa expressões preocupantes.

Como o CPPC defende, é hora dos Estados Unidos, França, Reino Unido, Israel, Arábia Saudita, Turquia, entre outros, reconhecerem a derrota da sua estratégia de ingerência e guerra na Síria e retirarem do país as suas tropas e os grupos por si armados e apoiados.

A paz na Síria e no Médio Oriente só será alcançada com o fim da agressão à Síria e o pleno respeito pela sua soberania e integridade territorial.

É fundamental reduzir o clima de tensão internacional, procedendo ao desanuviamento das relações internacionais, ao desmantelamento dos arsenais nucleares, ao fim da corrida aos armamentos, à dissolução dos blocos político-militares e ao encerramento das bases militares em território estrangeiro. Estes seriam passos sérios e consistentes no sentido da salvaguarda da paz e da segurança internacionais, hoje seriamente ameaçadas.

Direcção Nacional do CPPC