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É com profunda preocupação que o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) constata a intensificação da propaganda de guerra com que se tenta legitimar a continuação e, mesmo, o agravamento da agressão contra a República Árabe da Síria e o povo sírio, procurando abrir caminho à aceitação de que esta agressão se passe a realizar, agora, de uma forma abertamente directa.

Após sete anos de uma ininterrupta e brutal agressão por parte de grupos terroristas – criados, armados, financiados e apoiados pelos EUA e outros países da Europa e do Médio Oriente, como o Reino Unido, a França, a Turquia, Israel, a Arábia Saudita, o Qatar ou a Jordânia –, o CPPC chama a atenção para a tentativa daqueles que, face à derrota dos seus grupos terroristas, procuram pretextos, a coberto de mentiras, para impor uma escalada na guerra e, consequentemente, mais morte e sofrimento ao povo sírio, a exemplo do que aconteceu noutros momentos e noutros países, como o Iraque e a Líbia.

Quem verdadeiramente se preocupa com a difícil situação em que vive o povo sírio, só pode exigir o fim do apoio aos grupos terroristas que o massacram, perpetrando os mais bárbaros e hediondos crimes e violações dos direitos humanos, mantendo populações reféns dos seus criminosos objectivos e estratégia.

Quem verdadeiramente se preocupa com o povo sírio, não pode omitir a existência e branquear a acção dos grupos terroristas na Síria, fazendo-os passar falsamente por inocentes “opositores” ou “rebeldes”, ou humanitários “capacetes brancos”.

Quem verdadeiramente se preocupa com a defesa dos direitos do povo sírio, só pode exigir o fim da agressão externa, o respeito da soberania do povo sírio, o respeito dos esforços negociais para uma solução política para o conflito entretanto criado.

O CPPC chama a atenção que grupos terroristas não passam a ser “rebeldes” só por que a sua acção é dirigida contra a Síria, e não contra os EUA, o Reino Unido ou a França.

O CPPC denuncia o conjunto de falsidades fomentadas por responsáveis da Administração norte-americana e de outros governos, amplamente propaladas em órgãos de comunicação social, sobre a situação na Síria, tentando fazer passar as vítimas por “algozes” e os algozes por “vítimas”, os agredidos por “agressores” e os agressores por “agredidos”.

O CPPC recorda que os EUA e os seus aliados são responsáveis pelo desencadear da guerra na Síria, na sequência das agressões ao Iraque e à Líbia. São os EUA e seus aliados que criaram e apoiaram as diversas ramificações da Al-Qaeda e o auto-denominado Estado Islâmico, na tentativa de derrubar o Governo sírio. São os EUA e seus aliados que, não aceitando a derrota dos seus grupos terroristas, envolvem directamente as suas forças armadas na Síria, violando a soberania, a independência e a integridade territorial deste país, desrespeitando todos os princípios da Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional.

O CPPC recorda que, tal como aconteceu em agressões anteriores contra países soberanos, a promoção externa da desestabilização, do conflito, do bloqueio económico e isolamento político, foi sempre acompanhada por uma intensa operação de desinformação e a tentativa de instrumentalização das Nações Unidas e suas agências, de modo a justificar inaceitáveis propósitos belicistas, com o seu imenso lastro de morte, sofrimento e destruição.

A salvaguarda dos direitos do povo sírio e a paz na Síria passam necessariamente pelo fim do apoio aos grupos terroristas, incluindo o fim das campanhas que os encorajam a prosseguir a sua acção criminosa contra o povo sírio.

A salvaguarda dos direitos do povo sírio, a paz na Síria, passa necessariamente pela retirada das forças estrangeiras que ilegalmente intervêm e ocupam território deste país, passa pelo respeito da soberania do povo sírio, pelo seu direito a definir, sem intromissões externas, o seu próprio futuro.

Direcção Nacional do CPPC