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Leia a intervenção de Ilda Figueiredo no Concerto pela Paz:

Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Estimadas Amigas e Amigos da Paz
Em nome da Direcção do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) saúdo todas as pessoas presentes neste magnífico Concerto pela Paz, no Teatro Rivoli, só possível com o empenhamento de muitos artistas e grupos que aqui intervêm hoje, envolvendo mais de 150 pequenos e grandes artistas, e para quem vai o nosso caloroso aplauso.
Ao Bando dos Gambozinos, ao Conservatório de Música do Porto, ao Ginasiano escola de dança, ao Coral de Letras da Universidade do Porto, ao músico Miguel Araújo e sua equipa e à actiz Rebeca Cunha que apresenta este espectáculo vão os nossos mais profundos agradecimentos pela sua generosidade e solidariedade.


Agradecimento que é também extensivo à Câmara Municipal do Porto, com quem o CPPC tem um protocolo de colaboração, em especial ao Presidente, ao vereador do Pelouro da Educação, ao Teatro Rivoli e aos seus técnicos que, em conjunto connosco, montaram este espectáculo que esperamos vos agrade a todos. Como sabem, é o terceiro Concerto pela Paz que organizamos no Rivoli com apoio da Câmara Municipal do Porto.
Certamente também já viram a exposição, no átrio do Rivoli, dos belos trabalhos de pintura sobre a Paz de alunos de escolas do Porto, a quem muito agradecemos, incluindo alunos, professores, direcções das escolas e técnicas do Pelouro da Educação da CMP. É uma colaboração que já vem de 2015, incluíndo desenhos e poesia, que estiveram expostas nos anteriores Concertos, e que já utilizámos para a colecção de postais e para um pequeno livro de poemas sobre a Paz. É uma colaboração que esperamos continuar, designadamente com as exposições do CPPP e os debates nas escolas e associações.
Com este Concerto pela Paz queremos testemunhar o nosso apelo à Paz e dizer não à guerra, não ao reforço do militarismo. O contexto particularmente complexo que se vive no plano internacional, onde se mantêm graves conflitos, guerras e agressões em muitas zonas do mundo, particularmente no Médio Oriente e em África, e graves ameaças à Paz noutras zonas, desde a América Latina à Ásia, mas incluindo na Europa, sem esquecer o drama dos refugiados que continua, e sem esquecer também as vítimas das políticas injustas e agressivas, que agravaram desigualdades sociais, exige de todos os amantes da paz uma redobrada atenção e empenhamento na defesa da justiça, da liberdade, da democracia e da Paz, de acordo com os valores de Abril.
No entanto, há também raios de esperança, resultado das lutas dos povos como, por exemplo, a assinatura, no passado dia 7 de Julho de 2017, do Tratado de Proibição das Armas Nucleares pela Conferência da Nações Unidas para negociar um instrumento legalmente vinculativo que proíba as armas nucleares, levando à sua eliminação total – objectivo partilhado pelos 122 Estados promotores, dando expressão à aspiração dos povos a um mundo livre de armas nucleares.
Este tratado está agora aberto à assinatura e ratificação pelos diversos Estados-membros das Nações Unidas. Como sabemos, também o ano passado o ICAN ou seja, a campanha para a eliminação das armas nucleares, ganhou o prémio Nobel da Paz.
O CPPC, no respeito do espírito e letra da Constituição da República Portuguesa – que defende o “desarmamento geral, simultâneo e controlado” - considera que Portugal deve assinar e ratificar oeste Tratado. Por isso, lançámos uma petição dirigida às autoridades portuguesas para que o façam, pela Paz, pela segurança, pelo futuro da humanidade. Está à subscrição no átrio e também via net.
A nossa convicção é que, com a vossa participação neste Concerto, podemos afirmar, a muitas vozes, a nossa indignação face às guerras de agressão e expressar, a muitas vozes também, a nossa solidariedade com os povos vítimas do colonialismo, de actos de ingerência externa e de conflitos armados, de injustiças e desigualdades sociais, da opressão, dos desrespeito da sua soberania e independência nacionais. E dizermos todos PAZ Sim! Guerra Não!
Em vez de conflitos, guerras e corrida aos armamentos, reafirmamos aqui o nosso compromisso com a Paz, tendo por base o artigo 7º da Constituição da República Portuguesa e os princípios da Carta da Nações Unidas, na exigência do fim das armas de destruição massiva, incluindo as armas nucleares, o fim da corrida aos armamentos e da militarização das relações internacionais, a exigência da dissolução dos blocos político-militares, a promoção dos valores de Abril também na política externa portuguesa, na defesa da cooperação e amizade entre os povos de todo o mundo, preconizando a abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração. Queremos uma ordem internacional capaz de assegurar a justiça nas relações entre os povos, na defesa da emancipação e progresso da humanidade.
Vamos continuar a dar particular atenção às actividades de educação para a paz e do desenvolvimento de uma cultura de Paz, de que são exemplo estes Concertos pela Paz, as exposições e os debates. Vamos continuar a desenvolver campanhas de solidariedade com os povos No próximo dia 7 de Março -18 horas, será uma sessão de solidariedade com Palestina no Palacete Visconde de Balsemão, com a presença do embaixador. Muitas outras iniciativas irão continuar a decorrer na luta pela Paz, incluindo mais concertos nos próximos meses, em Gaia, Viana do Castelo, Lisboa e Coimbra em parcerias com municípios, artistas, colectividades, escolas, professores, sindicatos, jovens e todos, homens e mulheres de boa vontade, para quem a Paz é um objectivo central.
Um bom Concerto. Pela paz, todos não somos demais.
Paz sim! Guerra não!